Mulher Pensou Ter Adotado Cachorro Mas Vivia Há Dois Anos com Ur…Ver mais

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Uma história curiosa e, ao mesmo tempo, preocupante chamou a atenção da imprensa internacional após vir à tona no sudoeste da China. Uma mulher que acreditava ter adotado um filhote de cachorro acabou descobrindo, dois anos depois, que o animal que vivia em sua casa não era um cão, mas sim um urso ameaçado de extinção. O caso ocorreu na província de Yunnan e foi divulgado pelo jornal britânico Daily Mirror.

Segundo o relato, Su Yen adquiriu o animal acreditando se tratar de um mastim tibetano, raça conhecida pelo porte grande e aparência robusta. Durante meses, tudo parecia normal, até que o comportamento e o crescimento do suposto cachorro começaram a chamar atenção.

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Comportamentos estranhos levantaram suspeitas

Com o passar do tempo, Su percebeu que o animal apresentava atitudes incomuns para um cão. Além de crescer de forma acelerada, ele passou a consumir grandes quantidades de comida diariamente, chegando a ingerir uma caixa inteira de frutas e dois baldes de macarrão por dia. O apetite fora do padrão foi apenas um dos sinais de alerta.

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Outro detalhe decisivo foi a forma como o animal passou a se locomover. Em vez de andar sempre apoiado nas quatro patas, ele começou a caminhar frequentemente apenas sobre as patas traseiras, comportamento típico de ursos e extremamente raro em cães. A dona relatou que, quanto mais o tempo passava, mais o animal se parecia fisicamente com um urso, o que despertou medo e preocupação.

Diante das dúvidas, Su decidiu procurar ajuda especializada. O receio aumentou à medida que ela passou a desconfiar que poderia estar convivendo com um animal selvagem sem saber.

Identificação confirmou espécie ameaçada

A mulher entrou em contato com o Centro de Resgate de Vida Selvagem de Yunnan, que enviou profissionais para avaliar o animal. Após exames e observação do comportamento, os especialistas confirmaram que não se tratava de um cachorro, mas de um urso-negro-asiático, também conhecido como urso-da-lua ou urso-de-peito-branco.

A identificação trouxe um alerta ainda mais grave: além de ser um animal silvestre, a espécie está classificada como ameaçada de extinção. O crescimento do urso em ambiente doméstico poderia representar riscos tanto para a dona quanto para o próprio animal, já que ele não teria condições adequadas para desenvolver comportamentos naturais.

Após o diagnóstico, o centro de resgate assumiu a responsabilidade pelo animal, que foi levado para um local apropriado, onde passou a conviver com outros indivíduos da mesma espécie e recebeu acompanhamento especializado.

Tráfico ilegal e uso na medicina tradicional

O caso também reacendeu discussões sobre o tráfico ilegal de animais na Ásia. Ursos-negros-asiáticos costumam ser vendidos por valores elevados no mercado clandestino, principalmente devido ao uso de sua bile na medicina tradicional chinesa. A substância é utilizada no tratamento de problemas relacionados ao fígado e outras doenças, apesar das críticas de entidades de proteção animal.

O método de extração da bile é amplamente considerado cruel e doloroso, sendo alvo de campanhas internacionais contra maus-tratos. Ainda assim, a criação de ursos para esse fim segue permitida em algumas regiões do país, o que gera controvérsias e pressões de organizações ambientais.

Histórias como a de Su Yen evidenciam não apenas os riscos do comércio ilegal de animais, mas também a facilidade com que espécies ameaçadas podem ser retiradas de seu habitat natural. O episódio termina com um desfecho positivo para o urso, mas levanta um alerta importante sobre fiscalização, conscientização e proteção da vida selvagem.

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