A cultura potiguar e o cenário artístico brasileiro se despedem, neste domingo (11), de uma de suas vozes mais marcantes. Morreu aos 49 anos a atriz Titina Medeiros, vítima de um câncer no pâncreas. A notícia gerou forte comoção entre colegas de profissão, admiradores e instituições culturais, especialmente no Rio Grande do Norte, estado ao qual a artista sempre manteve profundo vínculo afetivo e artístico.
Reconhecida por sua versatilidade, presença cênica e autenticidade, Titina construiu uma trajetória sólida que transitou com naturalidade entre o teatro, a televisão e projetos de valorização da cultura regional. Sua morte representa uma perda significativa não apenas para a dramaturgia potiguar, mas também para a televisão brasileira, que encontrou nela uma intérprete intensa e genuína.

Raízes no interior e paixão pelas artes cênicas
Nascida em Currais Novos e criada em Acari, Titina Medeiros desenvolveu desde cedo uma ligação profunda com o teatro. Foi no interior do Rio Grande do Norte que ela descobriu a vocação artística e passou a construir uma identidade marcada pelo compromisso com a cultura nordestina e pela valorização das narrativas locais.
Ao longo da carreira, integrou grupos teatrais importantes do estado, como o Casa de Zoé e o Candeia, neste último também atuando como diretora. Sua dedicação às artes cênicas ultrapassava o palco: Titina esteve envolvida em projetos de formação de novos artistas, oficinas culturais e iniciativas voltadas à preservação e difusão da arte produzida no Rio Grande do Norte.
Colegas destacam que sua atuação no teatro sempre foi pautada pela entrega total, pela disciplina e pelo desejo de transformar o espaço cultural em instrumento de identidade e resistência. Mesmo após alcançar projeção nacional, ela nunca se afastou de suas origens nem do compromisso com a cena local.
Reconhecimento nacional na televisão
O grande público passou a conhecer Titina Medeiros a partir de sua participação na novela Cheias de Charme, exibida em 2012. No papel da irreverente e inesquecível Socorro, contracenando com nomes como Cláudia Abreu, a atriz conquistou o público e consolidou seu nome na dramaturgia nacional.
Após o sucesso, Titina integrou o elenco de outras produções da TV Globo, como Geração Brasil, A Lei do Amor, Onde Nascem os Fortes e Mar do Sertão. Mais recentemente, esteve em No Rancho Fundo, reforçando sua presença constante na televisão.
Mesmo com a visibilidade nacional, Titina mantinha uma relação próxima com o teatro, considerado por ela como a base de sua formação artística e espaço de maior liberdade criativa.
Despedida marcada por emoção e reconhecimento
Titina Medeiros era casada há quase 20 anos com o ator César Ferrario, parceiro de vida e de cena. A relação entre os dois era frequentemente lembrada como uma união construída sobre afinidade artística, respeito mútuo e paixão pelo ofício.
O velório da atriz teve início às 22h deste domingo, no Teatro Alberto Maranhão, em Natal, espaço simbólico para a cultura potiguar. Na manhã desta segunda-feira (12), o corpo seguirá para Acari, onde será velado na Casa de Cultura local. O sepultamento está previsto para o fim da tarde, no cemitério da cidade.
A morte de Titina Medeiros deixa um vazio profundo no teatro potiguar e na televisão brasileira. Seu legado, no entanto, permanece vivo nas personagens que interpretou, nos artistas que ajudou a formar e na memória de um público que aprendeu a reconhecer, em sua arte, a força e a sensibilidade do Nordeste brasileiro.