Um vídeo que viralizou nas redes sociais em outubro de 2025 colocou novamente o nome do pastor Leonardo Sale no centro das atenções e das controvérsias religiosas. O líder da Igreja Pentecostal Templo de Milagres (IPTM) apareceu nas imagens afirmando ter ressuscitado uma mulher grávida durante um culto.
O episódio, gravado por fiéis e amplamente compartilhado, mostra o momento em que o religioso anuncia que a mulher, supostamente sem vida, teria voltado a respirar após suas orações.

A cena rapidamente se espalhou pelas redes e dividiu a opinião pública. Para alguns, o fato representou uma manifestação sobrenatural da fé, um milagre que reforça o poder de Deus sobre a vida e a morte. Já para outros, a história beira o absurdo e revela um possível ato de charlatanismo, uma tentativa de usar a religião como espetáculo para atrair seguidores e atenção midiática.
A mulher citada no vídeo não teve sua identidade revelada, e até o momento não há nenhum registro médico ou testemunho oficial que comprove que ela estivesse realmente morta. Mesmo assim, as imagens continuam circulando e gerando discussões intensas em plataformas como Instagram, TikTok e YouTube.
Fé, emoção e responsabilidade de líderes religiosos
A polêmica reacendeu um debate antigo sobre os limites entre fé, emoção e manipulação religiosa. Em situações de intensa comoção, muitos fiéis acabam acreditando em tudo o que veem dentro do ambiente do culto, onde a fé e a expectativa de milagres falam mais alto que a razão. Especialistas em comportamento religioso afirmam que fenômenos como esse costumam ocorrer em igrejas que valorizam o “poder da palavra” e o impacto emocional coletivo, criando uma atmosfera em que tudo parece possível.
Por outro lado, estudiosos da religião e líderes de outras denominações alertam para o perigo de transformar o sagrado em espetáculo. Segundo eles, a fé não deve ser usada como forma de autopromoção, e qualquer evento que envolva supostos milagres deveria ser analisado com prudência. A ausência de provas médicas, especialmente em casos de “ressurreição”, reforça o ceticismo de parte da população e de órgãos que defendem maior fiscalização sobre práticas religiosas.
Reações e possíveis desdobramentos
Em resposta às críticas, Leonardo Sale afirmou que o episódio foi “obra do Espírito Santo” e que a incredulidade humana jamais poderá apagar o poder de Deus. Em nota publicada nas redes sociais, o pastor pediu respeito à fé da comunidade e declarou que não se preocupa em convencer os descrentes.
Mesmo assim, o caso despertou interesse de autoridades e entidades ligadas à ética religiosa, que cobram transparência e responsabilidade em eventos públicos dessa natureza. O Ministério Público pode, inclusive, abrir investigação caso haja denúncia formal sobre suposta fraude.
Enquanto isso, o vídeo segue acumulando milhões de visualizações, transformando o nome do pastor em um dos mais comentados do mês. Independentemente da veracidade do acontecimento, o episódio evidencia como a mistura entre fé e espetáculo continua despertando fortes emoções — e questionamentos — entre os brasileiros.