A leoa Leona, envolvida no ataque que resultou na morte de um jovem no último domingo (30), continua sob monitoramento especializado no Parque Arruda Câmara, em João Pessoa. Desde o episódio, o animal foi levado para um espaço reservado, onde sua equipe de manejo acompanha diariamente o comportamento e o nível de estresse provocado pela invasão de seu recinto.
Segundo a bióloga Marília Maia, responsável pelo acompanhamento, os primeiros dias foram dedicados a observar sinais comportamentais e garantir que a felina tivesse um ambiente seguro e silencioso para se estabilizar.
A reação de Leona, segundo os especialistas, foi instintiva e imediata. Grandes felinos se sentem ameaçados quando percebem a entrada de um estranho em seu território, o que explica a resposta agressiva no momento do ataque.
Marília reforça que o manejo emergencial adotado não tem caráter punitivo, mas busca assegurar a saúde emocional do animal após vivenciar um episódio de intensa tensão.
Mesmo diante da repercussão do caso, a administração da Bica reforçou que nenhuma medida extrema seria considerada contra a leoa. O parque afirmou ainda que Leona vinha demonstrando sinais de recuperação ao longo da semana, embora o retorno ao recinto original só tenha sido confirmado após avaliações criteriosas.

Parque afirma que animal não será punido e confirma retorno para esta sexta
Após dias de observação e protocolos técnicos, a equipe confirmou que Leona deve retornar ao seu recinto de origem nesta sexta-feira (5). Segundo a bióloga, a felina está mais tranquila e voltou a apresentar comportamentos naturais, indicativos de que pode retomar sua rotina habitual. A decisão foi tomada com base em avaliações comportamentais que mostraram diminuição significativa dos níveis de estresse.
Marília destacou que a leoa não será eutanasiada e que não houve, em nenhum momento, qualquer procedimento de punição. Ela explicou que o afastamento temporário é um protocolo padrão para grandes felinos após vivenciarem situações traumáticas, especialmente quando há contato direto com humanos.
Um dos fatores que contribuíram para a melhora do quadro foi o enriquecimento ambiental fornecido à felina. A equipe implementou feno, brinquedos e estímulos sensoriais que ajudam Leona a retomar hábitos como explorar, farejar, arranhar e descansar.
A direção do parque reforçou publicamente que a leoa não se alimentou da vítima e que o ataque ocorreu por instinto territorial, não por comportamento predatório.

Perícia confirma causa da morte e autoridades seguem investigando o caso
O ataque aconteceu por volta das 10h, quando Gerson de Melo Machado, de 19 anos, escalou a estrutura lateral da jaula, ultrapassou as grades de segurança e utilizou a árvore interna como apoio para entrar no recinto da leoa. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o jovem invadindo o espaço e sendo alcançado pela felina segundos depois.
De acordo com o laudo do Instituto de Polícia Científica (IPC), a morte de Gerson foi causada por hemorragia após ferimentos profundos na região cervical. O documento reforça que Leona mordeu o pescoço da vítima, mas não consumiu nenhuma parte do corpo, deixando claro que o ataque não teve motivação alimentar.
A Polícia Civil investiga as circunstâncias que levaram o jovem a entrar no recinto, incluindo antecedentes, condições psicológicas e possíveis falhas na segurança. O Parque Arruda Câmara informou que revisará procedimentos e ampliará as medidas de proteção para evitar novos incidentes semelhantes.