Polícia Descobre M0tivo da M0rte do Cachorro Orelha: ‘Foram Pe…Ver mais
O crime que resultou na morte do cão comunitário Orelha segue sob investigação da Polícia Civil de Santa Catarina e continua provocando forte comoção em todo o país. O animal, de 10 anos, era cuidado por moradores da região e morreu após sofrer agressões que, segundo a polícia, configuram tortura. Quatro adolescentes são apontados como suspeitos de envolvimento direto no caso.
Neste sábado (31/01), a polícia confirmou que mais um dos adolescentes prestou depoimento, trazendo novos elementos à apuração. A partir das declarações, uma das hipóteses inicialmente levantadas para a motivação do crime foi descartada pelos investigadores.

Polícia descarta influência de “desafio da internet”
Entre as linhas de investigação analisadas estava a possibilidade de que os adolescentes tivessem sido influenciados por algum tipo de desafio disseminado na internet. Casos semelhantes já foram registrados no Brasil e em outros países, muitos deles com desfechos trágicos, o que levou a polícia a considerar essa hipótese desde o início.
No entanto, após ouvir um dos envolvidos, a Polícia Civil informou que, até o momento, não há indícios concretos de que a violência contra Orelha tenha sido motivada por esse tipo de prática virtual. Mesmo assim, a Delegacia Especializada do Adolescente em Conflito com a Lei ainda pretende ouvir outro adolescente suspeito para esclarecer completamente essa linha de apuração.
Os investigadores reforçam que o objetivo é compreender não apenas o que aconteceu, mas também as circunstâncias e motivações que levaram ao crime.
Lesões graves levaram à eutanásia do animal
De acordo com a Polícia Civil, dois dos adolescentes são apontados como participantes diretos das agressões que resultaram em ferimentos gravíssimos no cão. Orelha era conhecido na comunidade por ser dócil e por circular livremente, sendo alimentado e protegido por diversos moradores.
A extensão das lesões foi considerada irreversível pelos veterinários que atenderam o animal. Diante do sofrimento intenso e da baixa possibilidade de recuperação, a equipe médica optou pela eutanásia como forma de evitar ainda mais dor. A decisão causou revolta e tristeza entre moradores e ativistas da causa animal, que passaram a cobrar punição rigorosa aos responsáveis.
O caso reacendeu debates sobre violência contra animais, responsabilidade dos responsáveis legais por menores e a necessidade de políticas mais efetivas de prevenção.
Investigação busca individualizar condutas e apura coação
O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, afirmou que não há mais dúvidas quanto à participação dos quatro adolescentes no episódio. A fase atual da investigação, segundo ele, é identificar e individualizar as condutas, ou seja, determinar com precisão o papel de cada um nas agressões.
Paralelamente, a polícia apura a atuação de três adultos no caso. Um tio e dois pais dos adolescentes são investigados por suspeita de coagir uma testemunha, inclusive com o uso de uma arma de fogo, numa tentativa de interferir nas investigações. Se confirmada, a conduta pode resultar em novas acusações criminais.
As investigações seguem em andamento, e a Polícia Civil afirma que novas diligências e depoimentos devem ocorrer nos próximos dias. O caso do cão Orelha permanece como um dos episódios recentes de maior repercussão envolvendo maus-tratos a animais no país, mobilizando autoridades, entidades de proteção animal e a sociedade civil.