As buscas aquáticas no Rio Mearim chegaram oficialmente ao fim após 19 dias de operações intensas, sem que qualquer vestígio concreto fosse localizado. A confirmação foi divulgada em vídeo pelas autoridades envolvidas no caso do desaparecimento dos irmãos Ághata Isabelly e Allan Michael, que mobiliza forças de segurança, familiares e a população desde o início do mês.
A decisão de encerrar essa etapa marca uma virada importante na condução do caso, deslocando o foco das buscas físicas em larga escala para uma atuação prioritariamente investigativa.

Buscas no rio foram exaustivas e tecnicamente encerradas
Durante quase três semanas, equipes da Marinha do Brasil e do Corpo de Bombeiros realizaram varreduras contínuas ao longo de aproximadamente 19 quilômetros do leito do Rio Mearim. Dentro desse perímetro, cinco quilômetros considerados de altíssima probabilidade receberam atenção redobrada, por terem sido apontados anteriormente como rota do rastro detectado pelos cães farejadores.
Segundo o capitão Simões, 11 pontos de interesse foram identificados e verificados de forma minuciosa por mergulhadores especializados. Todos passaram por buscas subaquáticas detalhadas, sem que objetos pessoais, roupas ou qualquer sinal das crianças fosse encontrado.
“Na parte fluvial e subaquática, esgotamos a possibilidade de as crianças ou vestígios estarem neste trecho do rio, que era considerado o de maior probabilidade”, afirmou o oficial. A avaliação técnica foi unânime entre os envolvidos na operação: não há mais indícios que justifiquem a continuidade das buscas no rio.
Área terrestre também entra em estágio de saturação
No ambiente terrestre, o cenário não é diferente. De acordo com o comando das operações, mais de 200 quilômetros de mata, trilhas e áreas de difícil acesso já foram percorridos por equipes do Exército Brasileiro e do Corpo de Bombeiros. A atuação incluiu regiões alagadas, vegetação fechada e terrenos com alto grau de risco operacional.
O coronel Duque destacou que, apesar da extensão percorrida, nenhum vestígio compatível com morte ou ataque fatal foi localizado, o que mantém aberta a possibilidade de que as crianças estejam em outro local. Para as autoridades, a ausência de corpos ou sinais claros de tragédia no perímetro original impede conclusões definitivas.
Uma equipe especializada em rastreamento do Exército permanecerá de prontidão em pontos estratégicos, especialmente em áreas de geografia complexa. Além disso, drones e equipamentos de inteligência seguem sendo utilizados para apoiar eventuais novas frentes de trabalho que surjam a partir das investigações.
Investigação ganha prioridade e novas hipóteses são analisadas
Com o encerramento das buscas em larga escala no rio e a saturação da mata próxima ao local do desaparecimento, o caso entra agora em uma fase eminentemente investigativa, sob responsabilidade da Polícia Civil. O objetivo passa a ser o cruzamento de informações, análise de dados e realização de novas oitivas.
O prefeito de Bacabal, Roberto Costa, reforçou que nenhuma hipótese está descartada. Entre as possibilidades consideradas estão desde um eventual ataque por animais silvestres até a hipótese de sequestro, que ganha força diante da completa ausência de evidências físicas no local inicialmente apontado como cenário do desaparecimento.
Segundo as autoridades, o trabalho agora busca linhas que escapem da lógica de um acidente na floresta, apostando em inteligência policial, depoimentos complementares e reavaliação de informações já colhidas. Após quase três semanas sem respostas, a expectativa é que essa nova etapa permita esclarecer o mistério e oferecer respostas concretas às famílias, que seguem aguardando por desfechos em meio à angústia e à incerteza.