Uma professora da rede municipal de ensino de uma cidade do litoral norte do Rio Grande do Sul foi condenada a 14 anos de prisão pelo crime de estupro de vulnerável, cometido contra um aluno de apenas 13 anos de idade. A sentença foi divulgada pela Justiça no último domingo (2), após denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado (MP-RS). Além da pena de reclusão, a mulher também perdeu o cargo público como efeito da condenação.
A promotora Bianca D’Alessandro Kosciuk, responsável pela audiência de instrução e pelas alegações finais, destacou a gravidade do caso e o abuso de poder envolvido. Segundo a denúncia, a professora se aproveitou da posição de confiança e autoridade para manter, por cerca de um ano, um relacionamento abusivo com o adolescente. O crime só foi descoberto após a direção da escola observar comportamentos inadequados entre os dois e acionar as autoridades competentes.

Investigação revelou manipulação e abuso psicológico
De acordo com as investigações, o relacionamento começou de forma aparentemente amistosa, mas logo se transformou em um vínculo abusivo, sustentado por insistência, chantagem emocional e manipulação psicológica por parte da professora. O aluno relatou em depoimento que a mulher o controlava de maneira constante, interferindo em sua vida pessoal e até mesmo no desempenho escolar.
A situação veio à tona quando a família da vítima teve acesso a mensagens trocadas entre o adolescente e a professora, que continham provas claras do abuso. A direção da escola, ao ser informada, imediatamente encaminhou o caso às autoridades e ao Conselho Tutelar, dando início ao processo criminal.
Durante o julgamento, a defesa tentou alegar que a relação teria sido consensual, mas o juiz rejeitou a argumentação, reforçando que, por se tratar de um menor de 14 anos, não há possibilidade de consentimento válido. O magistrado destacou ainda o impacto emocional causado à vítima e a violação da confiança depositada na figura da educadora.
Justiça determina perda do cargo e cumprimento da pena em regime fechado
Na sentença, o juiz responsável pelo caso reconheceu a prática do crime de estupro de vulnerável, previsto no artigo 217-A do Código Penal, e determinou que a ré cumpra 14 anos de prisão em regime fechado. Além disso, foi decretada a perda definitiva do cargo público, como forma de impedir que ela volte a exercer qualquer função ligada à educação.
A decisão foi recebida com alívio pela família do adolescente, que acompanhou o processo desde o início. A promotora Bianca D’Alessandro destacou que a condenação serve como um importante precedente para coibir abusos dentro das instituições de ensino, onde professores e funcionários devem representar segurança, e não ameaça.
O caso reforça a necessidade de vigilância nas escolas e canais de denúncia acessíveis, para que situações semelhantes sejam identificadas e combatidas com rapidez e rigor.