Na última segunda-feira (19/01), veio à tona um dos casos mais chocantes já registrados no sistema de saúde do Distrito Federal. Três técnicos de enfermagem passaram a ser investigados por homicídios em série cometidos dentro da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga. A suspeita é de que os profissionais tenham agido de forma intencional para provocar a morte de pacientes internados em estado grave, o que gerou forte comoção e levantou questionamentos sobre segurança hospitalar.
Os três foram presos pela Polícia Civil do Distrito Federal, que conduz o caso como uma sequência de assassinatos cometidos no exercício da função. As investigações ainda estão em andamento e buscam esclarecer não apenas a dinâmica dos crimes, mas também a motivação dos envolvidos.

Hospital identificou circunstâncias atípicas e acionou a polícia
O caso começou a ser desvendado após uma apuração administrativa interna realizada pelo próprio Hospital Anchieta. Segundo a Polícia Civil, a direção da unidade identificou “circunstâncias atípicas” envolvendo os três técnicos no ambiente da UTI, especialmente em momentos que antecederam mortes de pacientes.
Diante das inconsistências observadas, o hospital decidiu instaurar uma investigação por iniciativa própria e, ao reunir indícios preocupantes, acionou imediatamente as autoridades. Todo o material levantado internamente foi entregue à polícia, que deu início ao inquérito criminal.
A atuação do hospital foi destacada pela investigação como decisiva para que o caso viesse à tona. A partir dessas informações iniciais, a Polícia Civil aprofundou as diligências, ouviu testemunhas, analisou prontuários médicos e realizou a prisão dos três suspeitos.
Vítimas eram pacientes da UTI e mortes seguiram padrão semelhante
As investigações apontam que pelo menos três pacientes teriam sido mortos de forma intencional. As vítimas identificadas são:
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Miranilde Pereira da Silva, professora aposentada, de 75 anos;
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Marcos Moreira, servidor dos Correios, de 33 anos;
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João Clemente Pereira, servidor da Caesb, de 63 anos.
Todos estavam internados na UTI do hospital quando sofreram intercorrências graves que resultaram em morte. O que chamou a atenção dos investigadores foi o padrão semelhante das ocorrências e a presença recorrente dos mesmos profissionais nos momentos críticos.
Segundo a polícia, as mortes não apresentavam compatibilidade com o quadro clínico esperado dos pacientes, o que reforçou a suspeita de intervenção externa e intencional.
Polícia descreve método cruel e frieza dos suspeitos
O delegado Wisllei Salomão, responsável pelo caso, revelou detalhes considerados estarrecedores. Em um dos episódios investigados, um dos técnicos teria aspirado desinfetante hospitalar com uma seringa e aplicado a substância diretamente na veia de um paciente ao menos dez vezes, provocando paradas cardiorrespiratórias sucessivas.
Inicialmente, os três suspeitos negaram os crimes durante depoimento, alegando que apenas administravam medicamentos prescritos pelos médicos. No entanto, segundo a polícia, a postura mudou após a apresentação de provas técnicas e confrontos diretos.
De acordo com o delegado, após serem confrontados, os três admitiram os crimes de forma fria, sem demonstrar arrependimento ou comoção. Ainda segundo a investigação, nenhum deles apresentou uma motivação clara para as ações, o que amplia a complexidade do caso.
Com a repercussão, os nomes dos suspeitos foram confirmados: Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva. O caso segue sob investigação e pode revelar novas vítimas, além de provocar mudanças nos protocolos de fiscalização e segurança em ambientes hospitalares.