A confirmação da morte cerebral de Alciele de Almeida Alencar, de 31 anos, trouxe ainda mais comoção e revolta ao caso que chocou moradores de Tomé-Açu, no interior do Pará. A informação foi divulgada na última quinta-feira, 12 de março, pela equipe médica do Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), onde a vítima estava internada desde o início do mês após sofrer uma violenta agressão.
Alciele havia sido hospitalizada no dia 3 de março, depois de ser brutalmente atacada pelo então namorado, o personal trainer Pedro do Nascimento Santana Júnior. Desde o primeiro momento, o caso gerou grande repercussão nas redes sociais e entre moradores da região, principalmente pela violência extrema registrada por testemunhas que presenciaram parte do crime.
Inicialmente, o agressor foi indiciado por tentativa de feminicídio. No entanto, com a confirmação da morte da vítima, o enquadramento do crime deve passar para feminicídio consumado, o que pode resultar em uma pena ainda mais severa caso a acusação seja formalizada dessa forma pela Justiça.
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Velório marcado por protestos e pedidos de justiça
O velório de Alciele foi marcado por forte comoção entre familiares, amigos e moradores da cidade. Durante a despedida, pessoas próximas à vítima realizaram manifestações pedindo justiça e denunciando a violência contra mulheres, um problema que continua gerando indignação em diferentes regiões do país.
Alciele deixa quatro filhos, que agora enfrentam a dor da perda precoce da mãe. Pessoas próximas à família relataram que a vítima era conhecida por ser dedicada aos filhos e por manter uma relação próxima com amigos e parentes. A tragédia, portanto, mobilizou a comunidade local, que se uniu em apoio à família e em protesto contra a brutalidade do crime.
Cartazes, mensagens e palavras de revolta marcaram o momento da despedida. Muitos presentes reforçaram a necessidade de punição rigorosa ao responsável e de medidas mais efetivas de combate à violência doméstica e ao feminicídio.
Crime ocorreu após perseguição em plena rua
De acordo com as investigações, a agressão aconteceu na noite do dia 3 de março, quando Alciele estava na garupa de um mototáxi em uma rua da cidade. Testemunhas relataram que o agressor passou a perseguir o veículo antes de provocar a queda ao jogar sua motocicleta contra o mototáxi.
Após a colisão, Alciele caiu no chão e ficou em situação de extrema vulnerabilidade. Foi nesse momento que Pedro do Nascimento Santana Júnior iniciou uma série de agressões violentas contra a vítima.
Imagens registradas por pessoas que estavam próximas ao local e analisadas pelas autoridades mostram que Alciele recebeu dezenas de golpes. Segundo os primeiros levantamentos da investigação, ela teria sido atingida por cerca de 80 socos, além de chutes, enquanto estava caída no chão.
A rua onde ocorreu o ataque estava pouco iluminada, mas moradores perceberam a movimentação e começaram a gritar e filmar a cena. Algumas pessoas também acionaram a polícia enquanto tentavam intimidar o agressor para que ele parasse com as agressões.
Suspeito foi preso após fugir do local
Depois de atacar Alciele repetidamente, o suspeito fugiu do local. Pouco tempo depois, equipes da polícia conseguiram localizá-lo nas proximidades da área onde o crime aconteceu.
Enquanto isso, equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foram acionadas e socorreram a vítima em estado gravíssimo. Ela foi levada para o Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência, onde permaneceu internada por cerca de dez dias.
Apesar dos esforços da equipe médica, o quadro de saúde da vítima não apresentou melhora suficiente. Após exames clínicos e neurológicos, os médicos confirmaram a morte cerebral, encerrando qualquer possibilidade de recuperação.
O caso se soma a outros episódios recentes de violência contra mulheres que têm provocado indignação e debates em todo o país. Organizações de defesa dos direitos das mulheres reforçam que crimes como esse evidenciam a urgência de políticas mais eficazes de proteção e prevenção, além de punições rigorosas para agressores.