A morte de um jovem no Parque Arruda Câmara, conhecido como Bica, em João Pessoa (PB), acendeu um alerta sobre os limites de segurança e o comportamento que levou ao ataque fatal. O caso chamou atenção porque, segundo a própria administração municipal, o homem pode ter agido deliberadamente, escalando estruturas que ultrapassam as exigências legais.
O leitor talvez nem imagine, mas situações como essa mostram que qualquer pessoa, em condições semelhantes, poderia se colocar em risco sem perceber — e é justamente por isso que o episódio mobilizou autoridades e especialistas.

Segurança reforçada, mas invasão rápida
Segundo a Prefeitura de João Pessoa, o homem ignorou as barreiras de segurança do zoológico e escalou uma parede de mais de seis metros, além das grades que isolam o recinto da leoa. O acesso, considerado improvável por vias normais, exigiu que ele subisse tanto a estrutura física quanto a borda negativa de 1,5 metro, instalada justamente para evitar aproximações perigosas.
Mesmo com a presença de equipes de segurança no local, tudo aconteceu de forma muito rápida. De acordo com o comunicado oficial, os profissionais tentaram impedir o avanço, mas o invasor conseguiu alcançar a área interna antes de qualquer intervenção eficaz. A leoa, instintivamente, atacou o homem, que morreu ainda no local por conta dos ferimentos provocados.

As autoridades destacam que as medidas de proteção do parque excedem o que é exigido pelas normas técnicas, com altura superior em mais de dois metros ao mínimo recomendado. Por isso, a prefeitura reforçou que a entrada no recinto não ocorreu por falha estrutural, mas por ação intencional do invasor.
Animal foi contido sem tranquilizantes
Após o ataque, a equipe técnica do Parque Arruda Câmara conseguiu retirar a leoa da área externa e levá-la de volta ao espaço de segurança. Segundo um médico veterinário do parque, não houve necessidade de usar dardos tranquilizantes, graças ao treinamento gradual e contínuo aplicado ao animal ao longo dos anos.
Esse tipo de condicionamento é parte dos protocolos adotados para garantir a segurança da equipe e dos visitantes em casos emergenciais. O profissional explicou que a leoa respondeu prontamente aos comandos, o que evitou maiores riscos.

Por precaução, o local foi interditado provisoriamente para a remoção do corpo e para as primeiras análises conduzidas pela Secretaria de Meio Ambiente (Semam).
Prefeitura reforça que invasão foi intencional
Em nota oficial, a administração municipal lamentou profundamente o ocorrido e se solidarizou com a família da vítima. A prefeitura destacou que todos os mecanismos de segurança estavam dentro — e inclusive acima — dos padrões exigidos, reforçando que o episódio só aconteceu porque o homem, segundo a investigação preliminar, insistiu na invasão, mesmo diante de obstáculos físicos e da tentativa de intervenção das equipes.

O caso seguirá sendo apurado para esclarecer todos os detalhes sobre a motivação e as circunstâncias do acesso ao recinto. Enquanto isso, o parque permanece fechado para ajustes operacionais e revisão interna dos procedimentos.