A ideia parece improvável, até curiosa, mas é totalmente plausível: qualquer pessoa viva hoje pode ser descendente distante da família de Maria, mãe de Jesus, sem fazer a menor ideia disso. A afirmação não é religiosa — é histórica, matemática e genealógica.
Afinal, Maria viveu há mais de dois mil anos, em uma época em que famílias eram numerosas e populações muito menores do que hoje. Se ela teve irmãos, como qualquer pessoa da época, esses familiares tiveram filhos, que tiveram outros filhos, e assim por diante.
Em poucas gerações, descendências se multiplicam de forma exponencial.
Mas se isso é possível, por que ninguém sabe ao certo? A resposta envolve destruição de documentos, dispersão histórica e uma lacuna genealógica impossível de reconstruir hoje.

Uma família real e humana: Maria tinha parentes, e eles tiveram descendentes
A Bíblia não traz uma genealogia completa de Maria, mas deixa claro que ela tinha parentes, como Isabel, e que pertencia a uma linhagem judaica tradicional. Em uma cultura onde mulheres tinham muitos irmãos e famílias eram extensas, é quase certo que Maria também teve outros familiares diretos.
Esses familiares — irmãos, primos e sobrinhos — tiveram filhos ao longo das gerações. Em termos matemáticos, se cada família tivesse apenas três descendentes por geração, ao longo de 2 mil anos haveria milhões de pessoas ligadas, mesmo que minimamente, àquela linhagem original.
Isso significa que a probabilidade estatística de descendentes da família de Maria estarem vivos em diferentes partes do mundo é extremamente alta. Especialmente considerando que a população judaica, naquela época restrita à região da Judeia, se dispersou para várias partes da Europa, Oriente Médio e África após o século I.
Por que não é possível identificar quem são os descendentes
Apesar da alta probabilidade, não existe nenhuma forma de confirmar a descendência. O motivo?
Em 70 d.C., o Templo de Jerusalém foi destruído pelos romanos, e com ele desapareceram os registros genealógicos do povo judeu, que eram preservados de forma centralizada.
Com isso:
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desapareceu o registro das famílias, incluindo a de Maria;
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não há documentos que listem irmãos, sobrinhos e netos;
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também não existem registros contínuos após o século I.
Além disso, as comunidades judaicas enfrentaram dispersão, guerras, troca de sobrenomes e mistura cultural ao longo dos séculos. As famílias cresceram e se espalharam por regiões tão diferentes que, hoje, qualquer pessoa pode carregar fragmentos daquela linhagem — sem que haja qualquer conexão documental para comprovar.
Em outras palavras:
descendentes existem, mas é impossível saber quem são.
Essa linhagem chegou até hoje? Muito provavelmente sim
Pesquisas de genética populacional indicam que, após muitas gerações, praticamente todas as pessoas acabam compartilhando ancestrais em comum. Isso significa que é estatisticamente inevitável que milhões de pessoas hoje tenham algum grau de parentesco com personagens históricos do passado, mesmo sem saber.
Maria não seria exceção. Sua família existiu, cresceu e se espalhou, mesmo que o nome dela tenha ganhado destaque apenas por causa de Jesus.
Por isso, embora ninguém consiga provar, qualquer pessoa viva hoje pode ter uma ligação distante com os parentes de Maria — inclusive você.