Polícia Acaba de Autorizar Prisão de Adolescente Que Mat0u Cachorro Orelha: ‘Apen…Ver mais
O inquérito policial que apura a morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis, foi encaminhado ao Poder Judiciário nesta terça-feira (3). A investigação, conduzida pela Polícia Civil, concluiu pela recomendação de internação de um dos quatro adolescentes envolvidos no caso, diante da gravidade dos fatos apurados. Orelha vivia há quase dez anos na Praia Brava e era conhecido por moradores e frequentadores da região.

Laudo confirma agressão fatal e tentativa de afogamento
De acordo com o laudo da Polícia Científica, Orelha foi atacado na madrugada de 4 de janeiro, por volta das 5h30, no Norte da Ilha. O documento aponta que o animal sofreu pancada contundente na cabeça, compatível com golpe desferido por chute ou por objeto rígido, como um pedaço de madeira. A violência resultou em ferimentos fatais.
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As investigações também indicaram que os adolescentes teriam participado de uma tentativa de afogamento contra outro cão comunitário, Caramelo. O animal conseguiu escapar com vida e acabou sendo adotado pelo delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel. A confirmação desse segundo episódio reforçou a avaliação de gravidade do comportamento dos envolvidos.
Investigação analisou mil horas de imagens e ouviu 24 testemunhas
O trabalho investigativo foi conduzido pela Deacle (Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei) e pela DPA (Delegacia de Proteção Animal), ambas da Capital. Para identificar os responsáveis, a Polícia Civil analisou mais de mil horas de filmagens captadas por 14 equipamentos de monitoramento instalados na Praia Brava e arredores.
Ao longo do inquérito, 24 testemunhas foram ouvidas, além da apuração sobre oito adolescentes suspeitos, que tiveram participação analisada em diferentes níveis. Entre as provas reunidas, constam imagens que registram a roupa utilizada pelo autor da agressão, além de registros que ajudaram a reconstruir a dinâmica do crime nas horas que antecederam a morte do animal.
Pedido de internação e próximos passos no Judiciário
Diante do conjunto probatório e da repercussão social do caso, a Polícia Civil solicitou a internação provisória de um dos adolescentes, medida que, no sistema socioeducativo, equivale à prisão aplicada a adultos. A recomendação considera a violência empregada e o risco de reiteração de condutas graves.
Com o envio do inquérito ao Judiciário, a Polícia aguarda agora a conclusão da extração e análise dos dados dos celulares apreendidos durante a investigação. A expectativa é confirmar informações já colhidas e identificar eventuais novos elementos que possam ser anexados ao processo, fortalecendo a responsabilização dos envolvidos.
A morte de Orelha gerou forte comoção em Santa Catarina e reacendeu o debate sobre proteção animal, responsabilidade juvenil e aplicação de medidas socioeducativas em casos de extrema violência. O Judiciário deverá decidir, nos próximos dias, sobre a homologação das medidas solicitadas e os encaminhamentos legais do caso.