A Polícia Civil e a sociedade fluminense se despediram, nesta terça-feira (19), do piloto e comandante Felipe Marques Monteiro, em um clima de profunda consternação e homenagens emocionadas. O cortejo fúnebre em memória do agente teve início no começo da tarde, partindo do bairro da Lagoa, na Zona Sul do Rio de Janeiro — localidade que abrigava o antigo posto de trabalho onde o policial exerceu suas funções com dedicação. O comboio, acompanhado por viaturas e colegas de farda, seguiu em direção ao Crematório da Penitência, no Cemitério do Caju, espaço escolhido pela família para a realização do velório e das últimas cerimônias de despedida.
A morte do piloto encerra uma longa e dolorosa batalha pela sobrevivência que já se estendia por mais de um ano. Felipe Marques Monteiro estava internado em uma unidade hospitalar desde março de 2025, data em que foi gravemente ferido durante uma complexa operação policial na Vila Aliança, no bairro de Bangu, na Zona Oeste da capital.
Na ocasião, o comandante pilotava uma aeronave da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) em apoio às equipes terrestres quando o helicóptero foi alvo de disparos de criminosos, e o agente acabou atingido na cabeça por um tiro de fuzil. Nos últimos meses, seu quadro de saúde se agravou devido a severas complicações decorrentes de sucessivas cirurgias cranianas.
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Reações institucionais, luto familiar e o desrespeito de criminosos
A partida do comandante gerou manifestações imediatas de pesar por parte de familiares e de autoridades do estado. Nas redes sociais, a viúva do policial, Keidna Marques, publicou uma emocionante declaração ressaltando a trajetória do marido: “O Felipe lutou como sempre viveu, com coragem, dignidade e fé”, escreveu ela, recebendo o apoio de milhares de internautas. O Governo do Estado do Rio de Janeiro também emitiu uma nota oficial lamentando profundamente o falecimento do servidor, na qual destacou o extremo heroísmo, a bravura e o compromisso técnico demonstrados pelo piloto ao longo de sua carreira na segurança pública.
Por outro lado, o falecimento do experiente piloto também ecoou de forma hostil no submundo do crime organizado. Relatos que circulam em redes de monitoramento e canais de comunicação apontam que muitos criminosos e integrantes de facções atuantes no Rio de Janeiro estão comemorando abertamente a morte do comandante. Para o crime organizado, a atuação aérea de Felipe representava um forte obstáculo estratégico nas operações de combate ao tráfico de drogas. Essa reação de deboche e celebração por parte dos bandidos gerou ainda mais revolta entre os policiais e evidenciou a audácia das organizações criminosas fluminenses.
O legado na Core e o desafio das operações aéreas no Rio
O trágico desfecho do caso de Felipe Marques Monteiro traz novamente ao debate público os riscos extremos enfrentados pelos profissionais de segurança pública que atuam na divisão aeropolicial do Rio de Janeiro. A Core, unidade de elite da qual o piloto fazia parte, frequentemente utiliza helicópteros blindados para incursões em áreas conflagradas e de difícil acesso geográfico, onde o terreno é controlado por facções fortemente armadas com armamento de guerra, como fuzis de calibre pesado.
Colegas de corporação reforçaram, durante o cortejo, que o comandante deixou um legado de excelência técnica e companheirismo dentro da instituição. A bravura com que conduzia as missões aéreas salvou inúmeras vidas de policiais civis e militares que operavam em solo em situações de encurralamento. O crime que tirou a vida de Felipe continuará sob o acompanhamento das delegacias especializadas, que buscam identificar e punir rigorosamente os responsáveis pelo disparo de fuzil efetuado contra a aeronave em 2025.