A morte do cão comunitário Orelha continua provocando grande repercussão em Santa Catarina e agora ganhou um novo desdobramento. O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) determinou a abertura de uma nova investigação para apurar possíveis irregularidades durante a condução inicial do caso.
O animal, bastante conhecido pelos moradores da região da Praia Brava, era cuidado pela comunidade local e acabou se tornando um símbolo de mobilização após sua morte. A repercussão do episódio gerou manifestações em várias cidades e levantou questionamentos sobre a condução das investigações.

Ministério Público abre inquérito civil
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De acordo com informações confirmadas pela promotoria, foi instaurado um inquérito civil para analisar a conduta do então delegado-geral durante a apuração do caso envolvendo o cão Orelha.
Segundo o Ministério Público, a decisão ocorreu após o recebimento de diversas representações questionando a atuação do delegado na investigação. Inicialmente, o órgão havia aberto um procedimento preparatório para avaliar as denúncias.
Após análise do material reunido, a promotoria decidiu avançar para uma investigação mais aprofundada.
Em nota oficial, o Ministério Público informou:
“O MPSC instaurou um procedimento preparatório a partir de diversas representações recebidas contra a conduta do delegado geral no caso dos cães da Praia Brava para avaliar a necessidade de instauração de inquérito civil. Após análise jurídica do material recebido, a Promotoria de Justiça evoluiu o Procedimento Preparatório (PP) para um Inquérito Civil.”
Suspeita envolve possível vazamento de informações
A nova investigação deverá analisar denúncias de ato de improbidade administrativa, violação de sigilo funcional e também possível abuso de autoridade.
Entre os principais pontos que serão avaliados está a suspeita de que o então delegado-geral teria divulgado informações sigilosas relacionadas ao andamento das investigações.
Segundo as denúncias apresentadas ao Ministério Público, esse possível vazamento poderia ter beneficiado terceiros envolvidos no caso ou comprometido o andamento da apuração.
O objetivo do inquérito civil será justamente esclarecer se houve irregularidades na condução do processo investigativo e se alguma autoridade cometeu infrações administrativas ou legais.
Ex-delegado nega acusações
O ex-delegado citado na investigação, Ulisses Gabriel, já se manifestou publicamente sobre o caso. Em declaração, ele negou qualquer irregularidade e afirmou que pretende solicitar o arquivamento do inquérito civil.
Segundo ele, agora que terá a oportunidade de apresentar sua versão oficialmente, pretende esclarecer todos os pontos levantados pela promotoria.
O ex-delegado afirmou que confia na apuração e acredita que as acusações não se sustentarão após a análise completa do caso.
Caso Orelha gerou revolta nacional
O caso ganhou grande repercussão em todo o país após a morte do cão comunitário Orelha. O animal vivia nas ruas da Praia Brava, mas era alimentado e cuidado por moradores da região, que o consideravam parte da comunidade.
A comoção aumentou quando o cachorro foi encontrado com sinais de maus-tratos, gerando revolta nas redes sociais e mobilização de defensores da causa animal.
A Polícia Civil de Santa Catarina chegou a concluir o inquérito principal apontando a participação de um adolescente, acusado de agredir o animal. A investigação também indicou outros três adolescentes por agressões contra outro cachorro comunitário da região, conhecido como Caramelo.
Além disso, três adultos foram indiciados sob suspeita de coação no curso do processo, acusados de tentar interferir no andamento das investigações.
Mesmo após essas decisões, o caso continua repercutindo e agora entra em uma nova fase com a investigação aberta pelo Ministério Público, que busca esclarecer se houve falhas ou irregularidades durante a apuração original do crime.