A explicação veio a público nesta sexta-feira (8/5), através das redes sociais, em um momento em que a transparência sobre o uso de recursos partidários e a rotina privada de figuras públicas estão sob constante escrutínio. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro detalhou a dinâmica de trabalho de Rainê dos Santos, cozinheira de longa data da família, que atualmente divide suas funções entre o diretório do Partido Liberal (PL) e a residência oficial do casal Bolsonaro em Brasília.

Logística Pessoal e a Tese da Segurança Alimentar
Michelle Bolsonaro admitiu que Rainê é, de fato, contratada pelo PL, mas enfatizou que os serviços prestados em sua casa ocorrem fora do expediente partidário e são remunerados de forma independente. Segundo a ex-primeira-dama, a contratação para auxílio doméstico tornou-se necessária devido a uma lesão em sua mão, que a impediu de realizar tarefas culinárias que habitualmente assume.
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O ponto central da defesa de Michelle reside na segurança alimentar. Em sua declaração, ela destacou que a escolha de Rainê não é meramente técnica, mas baseada em uma confiança inabalável construída desde os tempos em que a família residia no Rio de Janeiro.
“A segurança alimentar de um ex-presidente que é perseguido e que já sofreu uma tentativa de assassinato deve ser observada. A cozinheira é de nossa confiança e, por isso, eu a contrato como minha ajudante sempre que preciso”, afirmou Michelle.
A ex-primeira-dama foi enfática ao dizer que paga as diárias e o transporte de Rainê com recursos próprios sempre que o serviço é realizado após o horário comercial. Essa distinção busca afastar críticas sobre o possível desvio de finalidade de uma funcionária paga por uma sigla partidária para fins de conforto doméstico privado.
O Histórico Funcional e o Crivo do Judiciário
A situação de Rainê dos Santos ganha contornos mais complexos devido ao atual status jurídico de Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília. Na última quarta-feira (6/5), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, autorizou formalmente a entrada da profissional na residência para prestar seus serviços, garantindo a legalidade do acesso à área restrita.
Os dados financeiros da profissional, extraídos das prestações de conta do PL, mostram uma trajetória salarial robusta dentro da estrutura partidária:
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Em 2025: Rainê recebeu um total de R$ 64,9 mil.
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Em 2026: Até o momento, foram pagos R$ 7,3 mil, distribuídos entre os meses de janeiro e fevereiro.
Historicamente, a relação funcional entre a cozinheira e o ex-presidente não é recente. Em 2019, ela chegou a ocupar um cargo de assessora técnica no Gabinete Pessoal da Presidência da República, com vencimentos brutos superiores a R$ 5,6 mil, sendo exonerada no final de 2021.
A transição da folha de pagamento do Governo Federal para a do Partido Liberal é um movimento comum em lideranças que deixam o poder, mas o caso atual levanta debates sobre a linha tênue entre a atividade política e a assistência pessoal. Para os apoiadores, trata-se de proteção vital; para os críticos, uma extensão de privilégios. No centro da polêmica, Michelle Bolsonaro reafirma que a integridade física de sua família e o direito de Rainê de exercer atividades extras são os pilares que sustentam a atual configuração doméstica.