A trajetória do ex-sacerdote Roberto Francisco Daniel, conhecido como padre Beto, reacende discussões sobre religião, liberdade de pensamento e os avanços nos direitos civis no Brasil. Excomungado da Igreja Católica após defender publicamente a diversidade sexual, ele segue atuando fora da instituição, agora com uma missão que, segundo ele, se tornou ainda mais ampla.
Excomunhão e posicionamento sobre diversidade geram debate
Natural de Bauru, padre Beto foi excomungado em abril de 2013 após publicar vídeos nas redes sociais nos quais refletia sobre temas considerados sensíveis dentro da igreja, como a união entre pessoas do mesmo sexo e a necessidade de mudanças na estrutura institucional.
Na época, ele afirmou que não via possibilidade de seguir os ensinamentos de Jesus Cristo dentro de uma instituição que, segundo sua visão, não respeitava a liberdade de expressão e reflexão. Para ele, o modelo cristão deveria ser baseado na liberdade e no acolhimento, valores que acredita não estarem plenamente presentes na prática institucional.
Mais acessadas do dia
Um mês após sua saída, um marco importante ocorreu no país: o Conselho Nacional de Justiça publicou uma resolução que garantiu aos casais homoafetivos o direito ao casamento civil, impedindo que cartórios recusassem esse tipo de união.
Desde então, o número de casamentos entre pessoas do mesmo sexo cresceu de forma significativa. Dados da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais apontam que os registros passaram de cerca de 3,7 mil em 2013 para quase 13 mil em 2022.
