Mulher m0rre horas depois de fazer exame de colo…Ver mais

A rotina médica que deveria representar uma medida preventiva transformou-se em uma fatalidade na zona leste de São Paulo. Mariana dos Santos Candido, uma agente de apoio escolar de 41 anos, perdeu a vida após ser submetida a uma colonoscopia no Hospital Municipal de Ermelino Matarazzo.

O exame, considerado padrão para o acompanhamento da saúde intestinal e prevenção de doenças graves, ocorreu na última terça-feira. No entanto, o que era para ser um procedimento simples e seguro culminou em uma grave complicação interna, resultando na perfuração do intestino da paciente.

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Mulher morre após colonoscopia em hospital municipal de São Paulo - Metrópoles

A Tragédia no Procedimento de Rotina

De acordo com as informações detalhadas na Guia de Encaminhamento de Cadáver emitida pelo próprio estabelecimento de saúde, Mariana sofreu uma laceração severa da parede mucosa do intestinal durante o exame.

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Diante da gravidade do quadro clínico decorrente do incidente, a equipe médica realizou uma cirurgia de urgência, especificamente uma laparotomia combinada com colectomia segmentar, procedimento que envolve a retirada de uma parte do intestino grosso. A intervenção cirúrgica de emergência estendeu-se por cerca de seis horas em uma tentativa desesperada de reverter o dano e salvar a vida da paciente.

Após o longo procedimento cirúrgico, Mariana foi encaminhada à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital para monitoramento intensivo. Contudo, nas horas seguintes, seu estado de saúde deteriorou-se rapidamente. A paciente apresentou episódios de dores intensas, uma queda acentuada e grave da pressão arterial, além de quadros persistentes de sangramento.

Apesar dos esforços da equipe médica na unidade de terapia intensiva, o organismo de Mariana não resistiu à gravidade do trauma e das complicações pós-operatórias, culminando em seu falecimento na quarta-feira seguinte. O velório e o sepultamento da agente de apoio escolar foram agendados para ocorrer no Cemitério da Vila Formosa, localizado na mesma região leste da capital paulista, deixando familiares e amigos profundamente consternados com a perda precoce.

Investigação Policial e Posicionamento Oficial

Diante da gravidade da situação e da perda inesperada, os familiares de Mariana buscaram reparação e esclarecimentos imediatos. Horas após o falecimento, parentes compareceram ao 62º Distrito Policial, situado em Ermelino Matarazzo, para formalizar a ocorrência.

O caso foi oficialmente registrado pelas autoridades competentes como morte suspeita e morte acidental, sendo imediatamente encaminhado à Polícia Judiciária para que todas as diligências, investigações e tomadas de medidas cabíveis sejam rigorosamente executadas no decorrer do processo.

Em nota oficial divulgada à imprensa, a Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura de São Paulo manifestou-se sobre o ocorrido e buscou delimitar as responsabilidades pelo procedimento. A gestão municipal atribuiu a responsabilidade direta pela execução do exame à Clínica de Endoscopia Salinas Ltda, empresa terceirizada que realiza os procedimentos de endoscopia e colonoscopia na unidade hospitalar.

Segundo a administração da prefeitura, a referida empresa presta serviços de assistência médica no local há cerca de 25 anos, possuindo um longo histórico de atuação junto à rede pública de saúde da região.

Apesar de apontar a prestadora de serviços, a Secretaria Municipal de Saúde ressaltou que adotou medidas administrativas imediatas. A pasta informou que abriu uma sindicância interna com o objetivo de apurar com o máximo de rigor todos os detalhes, falhas e circunstâncias que cercaram a intercorrência fatal. “A SMS lamenta profundamente a perda da paciente e a apuração será rigorosa em relação à conduta médica adotada. A direção do hospital segue à disposição da família”, concluiu o comunicado oficial emitido pela prefeitura, tentando demonstrar transparência diante da repercussão do caso.

O Impacto Emocional e o Histórico Familiar

A partida repentina de Mariana gerou uma onda de comoção e desespero entre seus entes queridos, especialmente devido ao contexto de prevenção que motivou a realização do exame. A professora Mara Aparecida, tia da vítima, descreveu a sobrinha com carinho e dor, lembrando que Mariana era uma mulher alegre, cheia de vida e considerada o verdadeiro pilar de sustentação emocional e prática para toda a família.

A tragédia deixa uma lacuna irreparável, principalmente porque Mariana era mãe de três filhos, com idades de 19, 15 e 9 anos, que atualmente encontram-se em estado de choque diante da ausência súbita e violenta da mãe.

O motivo que levou Mariana a realizar a colonoscopia estava diretamente ligado ao histórico médico da família. O avô da agente de apoio escolar havia enfrentado um câncer de intestino, uma condição que exige atenção médica redobrada e acompanhamento rigoroso de todos os descendentes diretos.

Por recomendação de prevenção e rastreio, os familiares precisam se submeter ao procedimento periodicamente a cada dois anos. No entanto, esta foi a primeira vez na vida que Mariana realizou o exame, tornando o desfecho trágico ainda mais doloroso e difícil de aceitar para os parentes que incentivaram o cuidado com a saúde.

Segundo o relato emocionado da tia Mara, a família inteira encontra-se completamente dilacerada pelo sofrimento e pela culpa injustificada que alguns membros carregam. A mãe de Mariana, em particular, tem enfrentado um sofrimento psicológico extremo, culpando-se por ter incentivado e levado a filha para realizar o exame que acabou resultando em sua morte.

Enquanto o inquérito policial e a sindicância interna da saúde municipal avançam para determinar se houve erro médico, imperícia ou uma fatalidade inerente aos riscos cirúrgicos, os familiares tentam encontrar forças para amparar os três filhos que ficaram órfãos de mãe de maneira tão abrupta.

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