A Justiça de São Paulo decretou a prisão preventiva de um advogado de 44 anos suspeito de agredir a própria filha, uma criança de apenas 6 anos, no interior do elevador do edifício onde a família reside, localizado na Zona Norte da capital paulista.
O caso ocorreu no final da tarde de quinta-feira (20/8) e causou forte comoção no condomínio. Toda a ação foi capturada pelas câmeras de circuito interno de segurança do prédio, cujas imagens serviram de base para constatar a gravidade da conduta do investigado. A Polícia Militar foi acionada por vizinhos que se assustaram com o barulho de uma intensa discussão vinda do imóvel. Por volta das 18h40, os agentes chegaram ao local para averiguar a denúncia de violência doméstica e maus-tratos.
A mãe da criança relatou aos policiais que havia deixado a filha sob os cuidados do companheiro durante a jornada de trabalho. Ao retornar para a residência, por volta das 18h20, deparou-se com o homem exaltado, proferindo ofensas e xingamentos contra a menina. Preocupada com a integridade da menor, a mulher interveio na situação, o que deu início a um grave desentendimento entre o casal, marcado por trocas de acusações e empurrões físicos.
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Tensão no apartamento e negociação
Buscando resguardar a vida e a saúde da filha, a mãe agiu rapidamente: retirou a garota do ambiente de conflito, levou-a para outro cômodo e solicitou a ajuda da síndica do condomínio para acionar as autoridades policiais. Com a chegada da equipe de patrulhamento ao andar, o advogado adotou uma postura hostil e de recusa.
Ele se trancou em um dos quartos do imóvel, ignorando reiteradamente as ordens verbais para que saísse e se entregasse pacificamente. Diante da resistência, os policiais militares precisaram arrombar a porta para ter acesso ao cômodo onde o suspeito se encontrava. Mesmo com a entrada dos agentes, o homem permaneceu irredutível dentro da residência.
A ocorrência desdobrou-se em um longo processo de negociação que se estendeu por aproximadamente duas horas, exigindo paciência e tática dos agentes para garantir que a rendição ocorresse sem novos episódios de violência. Inicialmente, o suspeito manteve-se em total silêncio durante a abordagem.
Posteriormente, ao prestar esclarecimentos preliminares, alegou ter consumido bebidas alcoólicas ao longo do dia e declarou não ter recordação completa da sequência dos fatos. Ele admitiu a possibilidade de ter sido “um pouco ríspido” com a menor, mas negou veementemente lembrar-se de ter desferido tapas ou puxado os cabelos da criança dentro do elevador.
Acompanhamento médico e apuração dos fatos
Após o término da ocorrência policial e a condução do suspeito à delegacia, a menina foi levada para avaliação e atendimento médico especializado. Segundo as informações da Polícia Civil, os exames clínicos preliminares indicaram que a garota não apresentava lesões corporais visíveis.
A mãe também passou por avaliação e não trazia ferimentos aparentes decorrentes da discussão. Durante o registro do boletim de ocorrência, a mulher trouxe detalhes sobre o contexto familiar recente, relatando que o companheiro vinha enfrentando um severo quadro de depressão associado ao consumo abusivo de álcool.
A delegada responsável pela investigação ressaltou que não existiam registros policiais anteriores nem histórico de denúncias contra o advogado. A própria mãe confirmou aos investigadores que nunca havia presenciado atos de violência ou agressão física do pai contra a filha até aquela data.
Apesar disso, diante das fortes evidências apresentadas pelas imagens de segurança do elevador e do risco associado à gravidade do ato, a Justiça optou por manter a prisão preventiva do investigado, garanto a proteção integral da vítima e o andamento regular do processo criminal.