Três mulheres são achadas m0rtas misteriosamente dentro de um…Ver mais
A vulnerabilidade no trânsito das rodovias brasileiras gera dados alarmantes sobre acidentes graves que ocorrem diariamente pelo país. Em muitas ocasiões, colisões e capotamentos passam despercebidos durante longos períodos, sendo descobertos apenas horas mais tarde, quando socorristas ou transeuntes identificam vestígios da tragédia no acostamento.
Um caso com essas características foi registrado na BR-376, no trecho do município de Mandaguaçu, localizado no Norte do Paraná. A ocorrência chamou a atenção das autoridades regionais pela forma inusitada e trágica como o automóvel foi localizado: o veículo estava parcialmente encoberto pela água acumulada em um canal de contenção construído às margens da pista.
As três ocupantes do carro não resistiram ao impacto e ao afogamento, sendo identificadas pela Polícia Civil do Paraná como Maria Clara de Almeida, de 26 anos; Maria Eduarda da Silva Vanderlei, de 21 anos; e Larissa Viana, de 23 anos. O carro submerso só foi descoberto na manhã de quinta-feira (20/8), graças à atenção de um pedestre que caminhava pelas imediações e avistou uma das rodas do automóvel projetada para fora da lâmina d’água, acionando imediatamente as forças de segurança.
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Cinco horas de escuridão e resgate
Imagens captadas por uma câmera de monitoramento instalada nas proximidades da rodovia foram cruciais para reconstituir a dinâmica dos fatos. Por volta das 3h40 da madrugada, o veículo apareceu trafegando pela via quando, por motivos ainda desconhecidos, perdeu o controle, colidiu contra a barreira de proteção (guard-rail), saiu da pista e capotou.
O carro despencou pelo barranco do acostamento até parar no fundo de uma bacia projetada para drenagem e controle do fluxo das águas da chuva. Por conta da profundidade do canal e da escuridão do horário, o acidente permaneceu completamente invisível para os motoristas que trafegavam pela BR-376 por cerca de cinco horas.
Somente por volta das 8h30 a emergência foi notificada. Diversas equipes de prontidão foram mobilizadas para o local da ocorrência, incluindo homens do Corpo de Bombeiros, médicos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), socorristas da concessionária EPR Paraná e agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Chegando à cena, os profissionais constataram a morte de todas as ocupantes e iniciaram o complexo trabalho de içamento do automóvel e remoção das vítimas.
Luto regional e investigação técnica
A confirmação da identidade das jovens causou profunda comoção nas cidades vizinhas, visto que todas possuíam marcante trajetória acadêmica e laços comunitários na região paranaense. Maria Eduarda da Silva Vanderlei cursava o último ano da graduação em Biotecnologia na prestigiada Universidade Estadual de Maringá (UEM).
Na mesma instituição, Larissa Viana dedicava-se ao mestrado no Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, sendo reconhecida pelo empenho acadêmico. Por sua vez, Maria Clara de Almeida era filha de um renomado médico do município de Colorado, cidade também localizada no Norte do estado.
Diante da dor da família e do impacto social da perda, a Prefeitura de Colorado decretou oficialmente três dias de luto em homenagem à jovem. Os fatores determinantes que provocaram a perda de controle do veículo permanecem sob apuração minuciosa. A Polícia Científica do Paraná ficou encarregada de realizar os exames periciais no automóvel e no local do impacto, além de laudos necroscópicos que apontarão as causas exatas do falecimento das três jovens.