A imprudência nas estradas tem o poder devastador de transformar uma viagem comum e rotineira em uma tragédia de proporções irreparáveis. Um claro exemplo dessa dura realidade ocorreu em um grave acidente envolvendo um ônibus na BR-040, situado na altura de Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro.
O episódio dramático veio à tona por meio do relato contundente de um dos sobreviventes, cujas declarações levantam questionamentos profundos e sérios sobre a forma como o veículo estava sendo conduzido momentos antes de acontecer o tombamento fatal.
Entre as vítimas fatais dessa tragédia estava a jovem Ketelyn Poliana Alves Oliveira Sales, de apenas 19 anos de idade, que levava consigo uma gravidez de quatro meses e acabou perdendo também o seu bebê. O marido de Ketelyn, Gabriel Bernardes, estava no mesmo coletivo no momento do acidente e sofreu ferimentos considerados leves. Assim que recebeu alta médica das unidades de saúde da região, Gabriel dirigiu-se ao Posto Regional de Polícia Técnico-Científica acompanhado por um amigo, Diego Andrade, com o objetivo de acompanhar de perto a dolorosa liberação do corpo de sua esposa.
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O Relato do Sobrevivente e a Dinâmica do Acidente na BR-040
De acordo com o depoimento prestado por Gabriel, o comportamento adotado pelo motorista ao volante gerou um clima generalizado de pânico e apreensão entre os ocupantes do veículo durante o trecho de descida da serra. O sobrevivente relatou que estava posicionado no segundo andar do ônibus quando notou claramente que o veículo trafegava em uma velocidade excessivamente elevada e realizava as curvas da rodovia de maneira perigosa e arriscada. A tensão a bordo aumentou a ponto de algumas passageiras gritarem e implorarem para que o condutor parasse o veículo. Pouco tempo depois dessas cenas de desespero, o motorista perdeu de vez o controle da direção, resultando no tombamento do ônibus.
O acidente trágico aconteceu durante a madrugada de um domingo, especificamente no dia 16 de agosto, na altura do km 91 da BR-040, na descida da Serra de Petrópolis. O coletivo, pertencente à empresa Estrela Guia Turismo, transportava um total de 56 pessoas, contabilizando os passageiros, o motorista e dois ajudantes, e realizava uma viagem de longa distância saindo da Região Metropolitana de Belo Horizonte com destino final em Copacabana, no Rio de Janeiro. A violência do impacto foi devastadora, deixando um saldo trágico de dez pessoas mortas — sendo nove mulheres e uma criança do sexo feminino —, além de vários outros passageiros feridos que precisaram ser socorridos e encaminhados às pressas para hospitais da região.
Investigação Policial, Dificuldades e a Resposta da Empresa
Diante da gravidade dos fatos, a Polícia Civil assumiu o caso e abriu inquérito para investigar rigorosamente todas as circunstâncias do acidente, analisando fatores mecânicos, humanos e operacionais para esclarecer o que de fato provocou a perda de controle do veículo. Além da dor imensamente pessoal pela perda da esposa e do filho, Gabriel e seus amigos enfrentaram barreiras burocráticas e logísticas logo após o ocorrido. Segundo Diego Andrade, amigo que acompanhava Gabriel, houve sérias dificuldades iniciais para conseguir estabelecer contato com a empresa de transporte responsável pela viagem e para organizar o translado e o retorno do corpo de Ketelyn para o estado de Minas Gerais.
Em nota oficial divulgada à imprensa, a empresa Estrela Guia Turismo manifestou-se declarando que está prestando total colaboração às autoridades policiais nas investigações e oferecendo assistência às vítimas e aos seus familiares. A defesa da empresa ressaltou, contudo, que é prudente e necessário aguardar a conclusão dos laudos periciais e das investigações oficiais para determinar com precisão técnica as verdadeiras causas que levaram ao tombamento do ônibus na rodovia federal.