O NRG Stadium, em Houston, foi o cenário de um drama que testou os corações de mais de 200 milhões de brasileiros. O confronto contra o Japão, válido pelos 16 avos de final da Copa do Mundo, era de vida ou morte: perdeu, estava fora.
Após uma fase de grupos consistente, liderando o Grupo C com duas vitórias e um empate, a Seleção Brasileira entrou em campo ciente de que o favoritismo construído contra Haiti e Escócia não entrava nas quatro linhas. Do outro lado, os japoneses vinham embalados por uma goleada sobre a Tunísia e um sólido empate contra a Holanda, prontos para armar um verdadeiro ferrolho defensivo.
Acredita-se que Neymar não jogou para ser poupado para as próximas fases do torneio; feito que ainda está sendo analisado.
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O drama do ferrolho japonês
Sem Raphinha, lesionado, e com Neymar iniciando no banco de reservas como opção médica, o Brasil teve dificuldades para ditar o ritmo da partida sob o apito do árbitro italiano Maurizio Mariani. Durante todo o primeiro tempo e boa parte da etapa final, a Seleção Brasileira martelou, mas esbarrou na disciplinada e veloz recomposição asiática.
A bola rolava, o tempo passava, e o fantasma de uma eliminação precoce no Mundial começava a rondar Houston. O meio-campo trocava passes laterais previsíveis e as jogadas de linha de fundo eram facilmente interceptadas. O placar insistia em apontar um perigoso zero a zero que levaria o jogo para a desgastante prorrogação.
A mudança crucial do treinador
Foi exatamente nesse cenário de pura tensão, por volta dos 30 minutos do segundo tempo, que a genialidade tática e a leitura de jogo do treinador brasileiro mudaram o rumo da história. Percebendo o desgaste dos meias adversários e a necessidade urgente de verticalidade e agressividade, o técnico promoveu uma mudança que se provaria crucial para o destino do Brasil na Copa do Mundo. Ele abriu mão do esquema inicial, sacou um volante de marcação e oxigenou o ataque. A grande cartada, no entanto, foi a entrada do jovem atacante Gabriel Martinelli.
A modificação alterou completamente a dinâmica do confronto. O Brasil ganhou velocidade de transição e passou a ocupar os espaços vazios com uma intensidade avassaladora que desestabilizou o até então impecável ferrolho japonês. O dedo do comandante ficou evidente: o time não apenas mudou de postura tática, mas recuperou a confiança que parecia esvair-se com o passar dos minutos. O Brasil passou a morder a saída de bola do Japão, empurrando o adversário contra a sua própria grande área.
A estrela de Martinelli e a vaga garantida
E então, o ápice do drama se transformou em apoteose aos 44 minutos do segundo tempo. Em uma jogada desenhada pela nova disposição tática nascida no banco de reservas, a Seleção recuperou a bola sob pressão no campo de ataque. Com passes rápidos, de primeira, a defesa japonesa foi finalmente desmantelada. A bola viajou precisa, cruzando a área em direção à segunda trave. Como um raio, surgindo de trás com uma determinação inabalável, apareceu Gabriel Martinelli.
Com um faro de gol apurado e uma frieza cirúrgica, o atacante antecipou-se à marcação desesperada e testou firme, estufando as redes do NRG Stadium. O estádio explodiu em um rugido ensurdecedor de alívio e pura euforia. Era o gol da vitória por 1 a 0, o gol que coroava a insistência de um grupo e a audácia de seu comandante. Com o triunfo garantido no apito final, o Brasil carimbou sua vaga para as oitavas de final da Copa do Mundo, onde agora aguarda o classificado do confronto entre Costa do Marfim e Noruega.