O humorista Everson de Brito Silva, conhecido nacionalmente pelo nome artístico Tirullipa, foi condenado pela Justiça do Ceará ao pagamento de indenização por danos morais a duas mulheres que participavam do evento “Farofa da Gkay”, realizado em dezembro de 2022. A sentença foi proferida pela juíza Leila Regina Corado Lobato, titular da 36ª Vara Cível da Comarca de Fortaleza, que determinou a quantia total de R$ 30 mil — sendo R$ 15 mil destinados a cada uma das vítimas afetadas.
A condenação ocorreu após as participantes acionarem o Poder Judiciário por conta do comportamento do artista durante uma dinâmica recreativa promovida na festa. A atividade em questão fazia uma alusão à clássica atração televisiva “Banheira do Gugu”, na qual os convidados precisavam procurar sabonetes imersos em uma banheira.
Na avaliação da magistrada, a conduta adotada por Tirullipa ao longo da gravação extrapolou completamente os limites do entretenimento e do bom senso. Durante o transcorrer da dinâmica, o humorista puxou desavisadamente o laço do biquíni de uma das mulheres e tocou nos seios de outra participante sem que houvesse qualquer tipo de consentimento ou autorização prévia.
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Impacto psicológico e a repercussão nas redes sociais
Para a Justiça, as atitudes do comediante resultaram em forte constrangimento e violaram de maneira direta a intimidade e a dignidade das participantes. Além da gravidade dos atos praticados presencialmente, o processo judicial destacou que a intensa circulação e replicação dos vídeos nas redes sociais amplificaram enormemente a repercussão negativa do episódio. A exposição contínua na internet intensificou os danos emocionais e os impactos psicológicos vivenciados pelas vítimas.
Uma das afetadas pelo ocorrido, a influenciadora digital e cantora Nicolle Louise, relatou publicamente o profundo abalo emocional que enfrentou após o evento. Nicolle afirmou ter sido vítima de diversos ataques virtuais e críticas destrutivas por parte de usuários das redes sociais. Ela pontuou que só conseguiu compreender a real dimensão e a gravidade de tudo o que havia acontecido quando a dinâmica foi encerrada e o ambiente se acalmou.
O caso acendeu um debate abrangente sobre o desrespeito ao corpo feminino e as barreiras que dividem o humor da importunação, evidenciando como brincadeiras não consentidas em ambientes festivos podem trazer consequências devastadoras para a saúde mental das pessoas envolvidas.
Desdobramentos legais e as manifestações públicas
À época dos fatos, assim que a gravidade das imagens tomou grandes proporções na internet, a organização do evento tomou a medida imediata de retirar o comediante da festa. Logo após o desligamento do evento, Tirullipa gravou e publicou um vídeo em suas contas oficiais pedindo desculpas públicas pelo ocorrido. Em sua declaração, ele argumentou que jamais teve a intenção deliberada de humilhar ou causar dor a qualquer uma das convidadas, mas admitiu categoricamente ter “passado do ponto” ao tentar conduzir a atração de forma descontraída.
Com a conclusão do julgamento em primeira instância, além de arcar com o montante estabelecido para as vítimas, o humorista foi condenado ao pagamento integral das custas processuais. Como se trata de uma decisão proferida por uma vara cível, a sentença não é definitiva e a defesa do artista ainda pode interpor recursos em instâncias superiores para tentar reverter ou alterar o valor fixado pela juíza. Até o presente momento, a equipe jurídica do comediante não emitiu novas declarações oficiais sobre o resultado do processo.