Caso Gisele: Filha Revela Para Polícia Que Sua Mãe Era Uma…Ver mais

O julgamento do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado do assassinato de sua esposa, a soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, entra em uma fase crucial nesta quarta-feira (1º). O elemento de maior impacto do dia será o depoimento da filha da vítima, uma criança de apenas 7 anos. A menina será ouvida por meio de um procedimento especial, humanizado e protegido, voltado especificamente para crianças que são vítimas ou testemunhas de episódios de violência, garantindo que seu relato ocorra sem pressões externas.

O oficial reformado responde pelo crime de feminicídio. Desde o início das investigações, o réu nega veementemente as acusações apresentadas pelo Ministério Público, sustentando a tese de que Gisele teria cometido suicídio. A trágica morte da policial militar ocorreu em fevereiro deste ano e, desde então, o caso tem gerado intensa repercussão na sociedade e nos bastidores das forças de segurança do estado.

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Dinâmica familiar e sinais de alerta emocional

A filha de Gisele residia com a mãe e o tenente-coronel em um apartamento localizado no bairro do Brás, na região central de São Paulo. Foi exatamente nesse imóvel que a soldado foi encontrada morta, com uma perfuração por arma de fogo na região da cabeça. Embora a criança não estivesse presente no apartamento no exato momento em que o disparo ocorreu, o histórico de convivência da menina com o casal tornou-se uma peça fundamental para a acusação.

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De acordo com depoimentos colhidos ao longo do inquérito, o pai biológico da menina relatou que ela frequentemente se queixava das constantes e ríspidas discussões entre a mãe e o padrasto. O ambiente familiar hostil vinha gerando graves reflexos na saúde mental e física da menor. Amigas próximas de Gisele confirmaram essa percepção às autoridades, detalhando que a criança apresentava nítidos sinais de sofrimento emocional e psicossomático. Entre os sintomas relatados estavam uma perceptível perda de peso e episódios frequentes de enurese noturna — condição caracterizada pelo ato involuntário de urinar na cama durante o sono —, ambos associados a quadros de estresse crônico na infância.

O peso dos relatos na véspera da tragédia

Um dos momentos mais dramáticos e significativos apontados pela investigação ocorreu em 17 de fevereiro, véspera da morte da soldado. Naquela data, o pai biológico foi buscar a filha no apartamento do Brás para passar o período com ela. Ao recebê-la, o homem se deparou com a menina em prantos.

Abalada, a criança desabafou com o pai, afirmando categoricamente que não desejava retornar para aquela residência de forma alguma. O motivo verbalizado pela menor era o esgotamento gerado pelas brigas sucessivas e o clima de extrema tensão que testemunhava diariamente no convívio entre Gisele e o tenente-coronel. Para os investigadores, esses indícios enfraquecem a narrativa de suicídio e fortalecem a tese de um ambiente de violência psicológica que culminou no crime de feminicídio.

Próximos passos e andamento do rito judicial

Além da oitiva da filha de Gisele, a pauta de julgamento desta quarta-feira prevê a coleta de depoimentos de outros familiares essenciais para a elucidação do contexto familiar. Estão agendados os relatos dos pais da soldado assassinada, do irmão da policial e também do seu ex-marido. A expectativa é que essas declarações ajudem a traçar o perfil do relacionamento do casal e o comportamento do acusado nos meses que antecederam o crime.

O cronograma do tribunal teve início formal na última segunda-feira (30), quando o magistrado responsável e o corpo de jurados ouviram outras testemunhas técnicas e civis ligadas diretamente à investigação policial. O processo segue agora com a conclusão da fase de instrução e coleta de provas orais, etapa indispensável antes que a Justiça dê continuidade aos debates entre a defesa e a acusação para, finalmente, decidir o destino do oficial.

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