O caso impressionante de um idoso de 88 anos que foi considerado morto por uma médica plantonista e, posteriormente, apresentou sinais vitais dentro de uma funerária chocou o interior de São Paulo. O episódio, que misturou o alívio de uma vida salva com a indignação diante de uma grave falha médica, ocorreu após o paciente dar entrada na Santa Casa de Presidente Bernardes (SP).
Ele apresentava um quadro agudo de insuficiência respiratória e pneumonite por aspiração de sólidos. Após os procedimentos de emergência, a equipe médica declarou o falecimento do idoso, liberando o corpo para os trâmites fúnebres.
O suposto cadáver foi transportado para o município de Presidente Prudente, onde ocorreria o velório. No entanto, o destino do homem mudou drasticamente durante os preparativos para a cerimônia. Funcionários da empresa funerária contratada perceberam que o idoso, na verdade, respirava e se movia no momento em que preparavam o corpo.
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Diante do susto e da constatação de que o homem apontado como morto ainda estava vivo, os trabalhadores agiram rapidamente e acionaram o socorro médico de urgência. O paciente foi imediatamente reinternado e permanece sob cuidados médicos, com o quadro de saúde considerado estável.
Investigação policial por omissão de socorro e apreensão de documentos
Diante da gravidade do erro cometido na unidade hospitalar, a Polícia Civil do Estado de São Paulo interveio imediatamente para apurar as circunstâncias do ocorrido. O caso foi registrado na Delegacia de Presidente Bernardes e passou a ser oficialmente investigado sob a tipificação de omissão de socorro. A principal linha de atuação dos investigadores é entender a conduta técnica da médica plantonista e os motivos reais que a levaram a assinar o óbito de um paciente que ainda lutava pela vida.
Como parte fundamental das diligências, as autoridades policiais retiveram e apreenderam a declaração de óbito original emitida pela médica. O documento passará por uma perícia técnica minuciosa para integrar o inquérito policial.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), a investigação busca esclarecer se houve negligência, imperícia ou imprudência por parte da equipe que atendeu o idoso no sábado. Depoimentos dos funcionários da funerária, que testemunharam o momento em que o idoso despertou, e dos profissionais de saúde do hospital serão peças-chave para elucidar a dinâmica dos fatos.
Posicionamento da Santa Casa e abertura de procedimento interno
O erro médico gerou forte repercussão na comunidade e exigiu um posicionamento oficial da administração da Santa Casa de Presidente Bernardes. A direção técnica da instituição hospitalar emitiu uma nota pública confirmando a abertura imediata de um procedimento interno de sindicância para apurar rigorosamente os fatos e as responsabilidades de todos os envolvidos no atendimento do idoso.
No comunicado, a administração do hospital ressaltou seu compromisso histórico com a comunidade, afirmando que a entidade sempre trabalhou para oferecer a melhor qualidade assistencial a todos os usuários, tanto nos serviços médicos quanto de enfermagem. A diretoria da Santa Casa concluiu a nota informando que permanece à inteira disposição das autoridades policiais e da família para prestar quaisquer esclarecimentos pertinentes que ajudem a entender como o paciente foi liberado vivo em um caixão.