O lazer e a busca por atividades de aventura terminaram em uma fatalidade na cidade de Maricá, na região metropolitana do Rio de Janeiro. No último domingo (14), Rosemary Suzart Garcia, de 59 anos, morreu após uma queda de aproximadamente 30 metros enquanto realizava uma trilha na Gruta do Spar. O acidente ocorreu em um momento inesperado de distração, em um terreno íngreme onde o grupo de praticantes de rapel se preparava para iniciar a descida.
Rosemary, que residia no bairro de Cordovil, na Zona Norte do Rio, integrava um grupo de 15 pessoas que buscava aproveitar o domingo em contato com a natureza. Segundo informações apuradas, a vítima já estava devidamente equipada com itens de segurança, incluindo capacete, luvas e demais dispositivos necessários para a prática do rapel.
A dinâmica do acidente, conforme relatos de testemunhas, foi extremamente rápida e trágica: enquanto se preparava para a atividade, Rosemary decidiu passar repelente no corpo. Ao levantar uma das pernas para aplicar o produto, ela perdeu o equilíbrio e o seu pé de apoio escorregou no solo instável, projetando-a diretamente em direção ao precipício.
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A Tentativa Heroica de Resgate
A proximidade do guia com a vítima permitiu que ele reagisse quase que instantaneamente ao perceber o desequilíbrio de Rosemary. Testemunhas que acompanhavam o grupo descreveram a cena com apreensão. Giovani Maximino, um dos integrantes que estava próximo ao instrutor no momento da queda, relatou a dificuldade de conter o corpo da vítima devido à inclinação acentuada e perigosa do terreno.
“O guia tentou segurá-la e quase foi também. É uma altura de aproximadamente 30 metros. Ela estava terminando de passar o repelente. Foi muito rápido!”, contou Giovani, ainda abalado. Em seu depoimento às autoridades policiais, o guia detalhou que chegou a se lançar em direção à mulher, conseguindo alcançar seu braço por um breve momento, mas a força da gravidade e a falta de pontos de apoio sólidos impossibilitaram o resgate.
Em um ato de sobrevivência, o guia precisou se agarrar a uma raiz existente no solo para não despencar junto com Rosemary. O Corpo de Bombeiros foi acionado às 10h44, mas, ao chegarem ao local, os agentes apenas puderam constatar o óbito. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de São Gonçalo para os procedimentos necessários.
O Debate sobre a Segurança em Áreas Privadas
O caso trouxe à tona questões complexas sobre a responsabilidade em atividades de aventura realizadas em áreas de interesse ambiental. A Prefeitura de Maricá esclareceu, por meio de nota oficial, que a Gruta do Spar está inserida nos limites do Refúgio de Vida Silvestre Municipal de Maricá (REVIS), mas ressaltou que a área em questão é uma propriedade privada.
Devido ao caráter particular do terreno, o Poder Público informou que não possui autonomia para autorizar, fiscalizar ou interditar as atividades de rapel desenvolvidas ali. A responsabilidade por eventuais falhas de segurança ou riscos aos frequentadores torna-se, portanto, um ponto de interrogação jurídico. Enquanto a Polícia Civil segue realizando a perícia e investigando as circunstâncias exatas do acidente, o episódio serve como um alerta severo sobre os perigos inerentes a esportes radicais em terrenos não preparados, onde um simples gesto de rotina pode ter consequências irreversíveis. A família de Rosemary, que teve conhecimento da tragédia apenas na madrugada seguinte, agora busca respostas sobre o fatídico evento que encerrou precocemente a vida da moradora carioca.