O caso envolvendo o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto ganhou novos e alarmantes contornos com a denúncia formalizada no final de abril. Já detido sob a acusação de assassinar sua própria esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, o oficial agora enfrenta acusações de assédio sexual e perseguição contra uma subordinada. O relato detalha um padrão de comportamento invasivo que, segundo a vítima, não cessou sequer diante da tragédia familiar que vitimou Gisele.

O Abuso de Poder e a Insistência no Assédio
A denúncia aponta que a vítima, uma soldado que atuava sob o comando direto de Rosa Neto na 3ª Companhia do 49º Batalhão da Polícia Militar Metropolitano, era alvo de investidas constantes. O documento descreve um cenário de pressão no ambiente de trabalho misturado a abordagens de cunho estritamente pessoal. Mensagens frequentes e convites inoportunos faziam parte da rotina imposta pelo comandante, configurando um claro abuso da hierarquia militar para fins de importunação.
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O que mais causa perplexidade no relato é a audácia das ações do tenente-coronel. Mesmo após rejeições explícitas, o oficial teria chegado ao extremo de comparecer à residência da subordinada portando um buquê de flores. Essa conduta demonstra não apenas o desrespeito aos limites profissionais e pessoais, mas também uma perseguição ativa (conhecida juridicamente como stalking), que ignorava completamente a vontade e o bem-estar da policial.
A Continuidade das Abordagens após o Feminicídio
Um dos pontos mais sensíveis da nova denúncia é o curto intervalo de tempo entre a morte de Gisele Santana e as novas tentativas de aproximação de Rosa Neto. Apenas 18 dias após o falecimento da esposa — e já sob o peso das investigações que o apontavam como principal suspeito — o tenente-coronel teria buscado contato com a soldado para “se explicar”. A vítima, sentindo-se vulnerável e temendo por sua segurança, solicitou que fosse deixada em paz, especialmente pelo fato de estar sendo injustamente associada ao caso como amante do acusado.
A insistência de Rosa Neto, mesmo após ser ignorado e confrontado, reforça o perfil psicológico descrito pela soldado na denúncia. Para ela, as atitudes do oficial refletiam um “comportamento de maluco”. O temor da vítima escalou drasticamente após a morte de Gisele; a consciência de que o seu superior hierárquico era o principal suspeito de matar a própria esposa transformou o assédio em uma ameaça latente, gerando um estado de medo constante sobre do que ele seria capaz de fazer.
Reflexos Institucionais e a Segurança da Vítima
A nova denúncia coloca em xeque a estrutura de proteção interna para mulheres dentro das forças de segurança. Quando o agressor ocupa um cargo de alto escalão, como o de tenente-coronel, a rede de apoio à vítima torna-se ainda mais complexa devido ao temor de retaliações ou da descredibilização do relato. A coragem da soldado em denunciar o comandante, em meio a um processo de homicídio de grande repercussão, evidencia a gravidade do sofrimento psicológico ao qual foi submetida.
Agora, além de responder pelo crime contra Gisele, Rosa Neto deverá enfrentar os processos administrativos e criminais decorrentes do assédio. A justiça e a corregedoria da Polícia Militar têm o desafio de apurar como esse comportamento se estendeu por meses dentro de uma unidade militar sem ser interrompido anteriormente. O caso permanece sob análise rigorosa, enquanto a sociedade observa os desdobramentos de um enredo marcado pela violência doméstica e pelo abuso de autoridade.