A investigação sobre o desaparecimento da cozinheira Berenice Ramos de Aguiar, de 60 anos, ganhou desdobramentos cruciais que reforçam a principal linha de apuração da Polícia Civil. O caso, que mobiliza as autoridades desde o final de junho, teve um salto qualitativo com a inclusão de novas evidências materiais ao conjunto de provas do inquérito. Os investigadores seguem reunindo elementos técnicos e testemunhais rigorosos para esclarecer todas as circunstâncias que cercam o crime e determinar a responsabilidade dos envolvidos.
Entre os dados periciais mais relevantes confirmados pelas autoridades está o resultado inicial da análise realizada na caminhonete de propriedade da empresária Eliane Alves dos Santos, que se encontra presa temporariamente. Conforme informações preliminares repassadas pelo Instituto de Criminalística, foram identificadas marcas de pelo menos dois disparos de arma de fogo efetuados de dentro para fora do veículo. Além das marcas de tiro, os peritos constataram a presença de sangue humano no automóvel, embora os laudos definitivos ainda sejam aguardados para a complementação das provas técnicas.
Somando-se aos exames periciais no veículo, os agentes analisam minuciosamente um vasto material audiovisual composto por imagens captadas por radares e câmeras de monitoramento ao longo do trajeto suspeito. Outros vestígios coletados durante as diligências também estão sob análise. As investigações avançaram definitivamente com a localização do corpo de Berenice em uma área de mata fechada no município de Angra dos Reis, no estado do Rio de Janeiro. A confirmação oficial da identidade da vítima consolidou a transição da busca por uma pessoa desaparecida para um inquérito de homicídio e ocultação de cadáver.
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A Motivação do Crime e a Disputa Trabalhista
De acordo com a Polícia Civil, a principal hipótese para a motivação do crime gira em torno de um sério desacordo financeiro relacionado ao encerramento do vínculo de trabalho entre a cozinheira e a empresária. Berenice prestava serviços no restaurante mantido por Eliane e buscava uma rescisão amigável do contrato. A vítima pretendia receber aproximadamente R$ 4 mil referentes aos seus direitos trabalhistas acumulados, valor que considerava justo pelo tempo de serviço prestado no estabelecimento comercial.
Por outro lado, a investigada alegou em seus depoimentos ter quitado a dívida mediante um pagamento em dinheiro no valor de cerca de R$ 900. No entanto, a empresária não apresentou qualquer comprovante bancário ou recibo assinado que atestasse a veracidade dessa transação, o que fortaleceu as suspeitas dos investigadores. Essa divergência nos valores e a recusa em formalizar o acerto de contas teriam gerado um atrito insustentável entre as duas, culminando no desfecho trágico apontado pela polícia como a tese mais consistente até o momento.
Apesar de a disputa trabalhista ser a linha investigativa prioritária, os responsáveis pelo inquérito ressaltam que outras possibilidades não foram descartadas e continuam sendo examinadas. Além disso, a equipe de investigação trabalha firmemente com a hipótese de que pelo menos mais uma pessoa tenha participado da ação, colaborando diretamente na logística de transporte e na ocultação do cadáver na região de mata. Essa eventual participação de terceiros depende do resultado de novas diligências que estão em andamento.
O Desaparecimento e o Processo de Identificação
O drama da família começou em 30 de junho, data em que Berenice Ramos de Aguiar foi vista pela última vez ao deixar o restaurante onde trabalhava, localizado no município de Ubatuba, no litoral norte paulista. A partir daquele momento, o silêncio da vítima mobilizou parentes e autoridades em uma busca incessante que se estendeu por dias, até a localização do corpo na cidade vizinha do litoral fluminense.
O reconhecimento inicial da vítima foi realizado de forma emotiva por seu filho, que identificou o corpo no local por meio de uma tatuagem característica que a mãe possuía. Posteriormente, o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), onde exames complementares de praxe continuam sendo executados. Essas análises periciais detalhadas têm como objetivo atestar formalmente a causa da morte, fornecer dados científicos incontestáveis para o processo judicial e auxiliar a Polícia Civil no encerramento do inquérito.