Casos de crimes patrimoniais praticados contra idosos costumam chamar a atenção das autoridades por envolverem vítimas em situação de acentuada vulnerabilidade física e emocional. Além do severo prejuízo material, investigações dessa natureza frequentemente revelam padrões de comportamento e métodos cruéis que ajudam a esclarecer outros episódios semelhantes, contribuindo para ampliar o escopo das apurações policiais. Em Minas Gerais, a conclusão de um inquérito de grande repercussão pela Polícia Civil trouxe desdobramentos alarmantes para um caso que já vinha sendo acompanhado de perto pela sociedade mineira.
A trama criminosa ganhou contornos ainda mais graves com o surgimento de novas denúncias. Segundo a corporação, outras quatro pessoas procuraram voluntariamente a Delegacia Especializada em Investigação e Repressão ao Furto e Roubo (DEIRFR).
Em depoimento, as novas vítimas afirmaram categoricamente terem sido lesadas pela diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos. A mulher já estava sob intensa investigação policial, apontada como a principal suspeita pela morte de um casal de idosos em um bairro nobre de Belo Horizonte.
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O Método do “Boa Noite, Cinderela” e os Novos Relatos
De acordo com os investigadores da Polícia Civil, os novos relatos trazidos pelas quatro vítimas adicionais apresentam características e dinâmicas perfeitamente semelhantes às verificadas durante a apuração do caso principal. A polícia informou que o exato e mesmo método delitivo teria sido empregado pela profissional em diferentes ocasiões e residências da capital mineira. O padrão consistia no uso estratégico e dissimulado de fortes medicamentos de efeito sedativo, misturados a bebidas ou alimentos, para reduzir drasticamente a capacidade de reação e defesa das vítimas antes da prática dos furtos.
As investigações detalhadas apontam que, logo no primeiro dia de trabalho na residência de Cláudio Atala, de 75 anos, e Maria Clotilde Atala, de 76 anos, a diarista colocou esse plano letal em prática. Aproveitando-se da total confiança que o casal depositou em seus serviços domésticos, ela teria dopado os idosos de forma severa. Após a ação que culminou no óbito de ambos, diversos objetos de valor pertencentes às vítimas foram roubados. Parte substancial desses bens acabou sendo localizada pela polícia dias depois e devidamente devolvida aos familiares consternados.
Prisão em Hotel e a Apreensão de Sedativos
O cerco contra a suspeita se fechou por meio de uma operação cirúrgica realizada pela equipe de inteligência da Polícia Civil. Paola Stefany foi localizada e presa em flagrante enquanto estava escondida em um hotel na cidade de Itabira, no interior do estado de Minas Gerais. Durante as buscas realizadas no quarto onde a diarista estava hospedada, os agentes policiais apreenderam uma expressiva quantidade de material ilícito: exatamente 165 comprimidos de um medicamento controlado de tarja preta com forte efeito sedativo.
O material recolhido e apreendido passou a integrar o conjunto de provas físicas e periciais analisadas ao longo do inquérito. A posse de tamanha quantidade de substâncias ansiolíticas e sedativas reforçou de forma robusta a linha de investigação adotada pela equipe responsável pelo caso, servindo como evidência de que a prática de dopar os empregadores idosos era, de fato, o modus operandi contínuo e planejado da investigada para cometer os crimes patrimoniais sem sofrer qualquer tipo de resistência.
Conclusão do Inquérito e Indiciamento por Duplo Homicídio
Nesta segunda-feira, dia 13 de julho de 2026, a Polícia Civil de Minas Gerais anunciou oficialmente em entrevista coletiva a conclusão definitiva das investigações que pesavam sobre a diarista. Diante da robustez das provas coletadas, dos depoimentos das testemunhas e dos laudos periciais e necroscópicos das vítimas, a suspeita Paola Stefany Neto Cirino foi formalmente indiciada pelo crime de duplo homicídio qualificado, além de furto mediante fraude e vulnerabilidade.
Com o relatório final concluído, o procedimento policial será encaminhado imediatamente ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Caberá agora aos promotores de Justiça avaliar se apresentarão a denúncia formalizada à Justiça Criminal. Caso a denúncia seja aceita, caberá ao Poder Judiciário decidir sobre a abertura da ação penal, o andamento do processo e o eventual julgamento da acusada perante o Tribunal do Júri, analisando todos os elementos reunidos durante a investigação.