A trágica e prematura morte da professora Glória Werkhausen, de 43 anos, abalou profundamente os moradores do município de Constantina, localizado na região Norte do Rio Grande do Sul. O corpo da educadora foi encontrado sem vida na noite do último domingo, no interior da residência onde morava sozinha, logo após o controle de um incêndio no local.
A comoção tomou conta da cidade, onde Glória era uma figura extremamente respeitada e querida. Familiares, amigos e colegas de profissão uniram-se em luto, prestando homenagens e relembrando o legado de alegria e dedicação deixado por ela.
O caso, que inicialmente mobilizou o Corpo de Bombeiros devido às chamas na habitação, mudou rapidamente de rumo após as primeiras observações das autoridades no cenário do ocorrido. O ambiente e as condições em que o corpo foi localizado levantaram suspeitas imediatas de que o incêndio poderia ter sido provocado para encobrir um crime violento. A Polícia Civil gaúcha assumiu o caso e direcionou os trabalhos investigativos para elucidar o que de fato aconteceu naquela noite de domingo.
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Indícios de Crime e a Linha de Investigação
A linha de apuração policial aponta de forma contundente para a existência de um crime intencional. Diante da gravidade dos fatos, a Polícia Civil passou a tratar o caso, formalmente, como homicídio qualificado. O avanço crucial para essa definição partiu dos exames preliminares realizados pela equipe de perícia técnica que compareceu ao local do incêndio.
De acordo com as informações que constam no inquérito policial, a perícia médico-legal identificou sinais claros e indícios de esganadura na região do pescoço da vítima. Essa evidência sugere que Glória foi asfixiada antes mesmo de as chamas tomarem conta do imóvel. Os investigadores agora trabalham intensamente na coleta de depoimentos de vizinhos, familiares e possíveis testemunhas, além de buscarem imagens de câmeras de segurança na região para identificar suspeitos e determinar a motivação por trás do assassinato.
O Legado de Dedicação na Educação e no Esporte
Mãe de dois filhos, Glória Werkhausen exercia a profissão com um amor que transcendia as obrigações diárias da sala de aula. De acordo com relatos de sua irmã, Glaucia Werkhausen, a professora enxergava seus alunos como uma extensão de sua própria família. Durante uma parte significativa de sua carreira na rede pública, Glória destacou-se no cargo de diretora da Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Primeiros Passos, onde era amplamente reconhecida pela forma profundamente acolhedora com que tratava as crianças, seus familiares e toda a equipe pedagógica.
Para além do ambiente escolar, a educadora transbordava energia em suas atividades cotidianas. Ela possuía uma grande paixão pela dança e era uma praticante assídua de esportes. A amiga Cristina Borth relembrou o quanto Glória era fundamental para o incentivo do vôlei na comunidade, transformando cada partida em um momento único de celebração, convivência e fortalecimento de laços de amizade. Sua personalidade marcante e seu sorriso constante foram também destacados pela amiga Alexandra Rissoto, que ressaltou o compromisso inabalável de Glória com o bem-estar coletivo.
Dor Familiar e a Despedida na Comunidade
A perda de Glória deixou um vazio imensurável na dinâmica familiar e social de Constantina. “Na comunidade, ela era muito querida, amiga, parceira, uma pessoa para todas as horas. Na família, era protetora, cuidadosa e preocupada. Fazia tudo por todo mundo. Para nós, ela era a melhor pessoa do mundo”, desabafou a irmã Glaucia, sintetizando o sentimento de todos que conviviam com a professora.
Sob um clima de forte dor e pedidos por justiça, o corpo da educadora foi velado na última segunda-feira, dia 13, na Igreja Luterana de Novo Xingu. O sepultamento ocorreu logo em seguida no cemitério do município, reunindo centenas de pessoas que foram se despedir daquela que passou a vida acolhendo os outros. Enquanto a cidade chora a perda, a Polícia Civil segue com as investigações para que o crime não fique impune.