A Justiça de Minas Gerais determinou a manutenção da prisão preventiva do 3º sargento da Polícia Militar Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos. A decisão foi proferida pelo juiz Antônio Francisco Gonçalves durante a audiência de custódia realizada na Central de Audiências da Comarca de Belo Horizonte. O magistrado converteu a prisão em flagrante em preventiva por entender que a medida é indispensável para a garantia da ordem pública e para o bom andamento das investigações.
O militar é o principal investigado pela morte de sua esposa, a capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo, de 41 anos, encontrada sem vida no início da semana. A defesa do sargento confirmou que pretende recorrer da decisão judicial para tentar obter a liberdade do acusado. Além disso, a pedido da própria defesa, a Justiça determinou que o processo passe a tramitar sob segredo de justiça, com o objetivo de resguardar a intimidade dos envolvidos e de seus familiares durante a apuração dos fatos.

As versões conflitantes e os fortes indícios apurados
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O caso começou a ser apurado após o militar dar entrada no Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte, transportando o corpo da esposa já sem sinais vitais. Em seu depoimento oficial às autoridades policiais, Eduardo alegou que o casal havia ingerido bebidas alcoólicas e comprimidos de ecstasy antes de manterem relações sexuais consensuais envolvendo práticas agressivas. Segundo a narrativa do suspeito, a capitã teria sofrido uma queda de uma escada dentro de casa, mas teria se recusado a receber atendimento médico imediato, vindo a falecer horas mais tarde.
No entanto, a versão apresentada pelo sargento é fortemente contestada pelos investigadores da Polícia Civil. Exames periciais preliminares realizados no corpo da vítima identificaram múltiplas lesões externas e internas que não condizem com o relato do marido. Entre as marcas encontradas, destacam-se traumas compatíveis com chicotadas e um grave ferimento na região do rosto. Para reforçar as suspeitas sobre o histórico do casal, familiares de Michele prestaram depoimento e relataram que o relacionamento era constantemente marcado por violência doméstica e episódios de abuso.
Flagrante por tráfico de drogas e o prosseguimento do caso
Além das acusações relacionadas à morte da capitã, a situação do 3º sargento se complicou ainda mais devido à sua conduta no ambiente hospitalar. Enquanto aguardava o atendimento na unidade de saúde, Eduardo foi flagrado por testemunhas e câmeras de segurança tentando descartar uma caixa contendo 18 comprimidos de ecstasy em uma lixeira do local. Diante da tentativa de ocultação do material ilícito, o militar também foi autuado em flagrante pelo crime de tráfico de drogas, o que agrava substancialmente a sua situação jurídica perante a Justiça.
As investigações do crime estão sob a responsabilidade da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de Belo Horizonte. A equipe policial segue ouvindo testemunhas, reunindo provas documentais e aguarda a conclusão dos laudos periciais e necroscópicos detalhados. Esses documentos técnicos serão fundamentais para esclarecer a real causa e a dinâmica exata da morte de Michele Leão Azevedo, permitindo que o Ministério Público conclua o oferecimento da denúncia formal contra o investigado.