A prisão da empresária Daiana Schuinsekel de Almeida, ocorrida na quinta-feira (28), trouxe à tona detalhes chocantes sobre um esquema internacional de produção e venda de conteúdos contendo extrema crueldade contra animais. Em depoimento prestado à Polícia Civil no bairro da Bela Vista, localizado no Centro da capital paulista, Daiana confessou ter produzido os vídeos nos quais aparecia esmagando e torturando brutalmente pequenos animais, como pintinhos, gatos e coelhos, utilizando tanto as mãos quanto os próprios pés. Diante dos investigadores, a empresária revelou que a finalidade dessas gravações perturbadoras era a excitação sexual de um público consumidor específico.
Em seu depoimento formal na delegacia, documento ao qual o portal de notícias g1 teve acesso exclusivo, Daiana declarou que as produções audiovisuais foram realizadas entre os anos de 2020 e 2021. Tentando abrandar a gravidade de suas ações perante a autoridade policial, a mulher declarou estar profundamente arrependida de ter ingressado nesse mercado clandestino de pornografia e violência focado no sofrimento de seres indefesos. Apesar da gravidade das acusações de maus-tratos e tortura animal, a empresária foi colocada em liberdade poucas horas após a sua detenção, gerando intensa indignação.
As investigações conduzidas pela Polícia Civil do Estado de São Paulo revelaram que a atuação de Daiana não era um caso isolado de crueldade doméstica, mas sim um negócio estruturado e voltado para o lucro financeiro.
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A empresária comercializava as gravações em comunidades digitais secretas voltadas para a prática de zoosadismo — uma vertente fetichista que envolve o prazer sexual obtido por meio do sofrimento animal —, cujos principais clientes estavam localizados em diversos países da Europa. Os valores cobrados por cada arquivo de vídeo variavam entre 20 e 50 euros, dependendo diretamente do nível de violência empregado e do tipo de animal que era sacrificado nas cenas.

A investigação internacional e a captura na capital paulista
A descoberta das atividades ilícitas da empresária brasileira só foi possível graças a uma complexa rede de cooperação que envolveu ativistas de direitos dos animais e forças de segurança pública de diferentes países. O ponto de partida para a elucidação do caso se deu por meio de uma denúncia formal realizada por uma organização não governamental (ONG) de proteção animal sediada na Bulgária. Ao rastrear e monitorar redes criminosas na chamada internet profunda, os ativistas búlgaros conseguiram identificar o material produzido no Brasil e rastrear a origem das postagens, decidindo acionar imediatamente as autoridades brasileiras.
A denúncia internacional foi encaminhada inicialmente para a Polícia Federal (PF), que possui atribuição para lidar com crimes que envolvem conexões transnacionais. No entanto, por se tratar de infrações tipificadas na legislação ambiental e penal comum, a PF repassou todas as provas colhidas e o relatório inicial das investigações para a Polícia Civil paulista. A partir desse compartilhamento de informações, os agentes do estado iniciaram um minucioso processo de inteligência e rastreamento digital para descobrir a real identidade e a localização exata da mulher que aparecia de forma anônima nos vídeos de fetiche macabro.
Após semanas de monitoramento e cruzamento de dados cadastrais, os policiais civis conseguiram fechar o cerco contra a suspeita e cumpriram o mandado de prisão em uma residência na Bela Vista. Embora a soltura imediata de Daiana Schuinsekel de Almeida tenha causado controvérsia, o inquérito policial segue em andamento. As autoridades continuam analisando os dispositivos eletrônicos apreendidos para identificar possíveis compradores e outros envolvidos nessa rede criminosa de abusos.