Na manhã de 24 de junho de 2025, um crime brutal chocou a comunidade e destruiu uma família. Gleici Keli Geraldo de Souza, de 42 anos, dormia ao lado de sua filha de apenas sete anos quando foi atacada por seu companheiro, Daniel Bennemann Frasson.
A criança testemunhou o pai desferir 16 golpes de faca contra a mãe, que não resistiu aos ferimentos e morreu no local. Logo após assassinar a esposa, Daniel voltou-se contra a própria filha, atingindo-a com sete facadas nas costas e no peito.
A menina sobreviveu após passar 22 dias internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ao recuperar a consciência, a garota relatou um detalhe marcante e doloroso: antes de atacá-la, o pai a abraçou e pediu desculpas. Após a alta hospitalar, a criança precisou passar por um longo processo de reabilitação física e emocional, ficando sob os cuidados de sua irmã mais velha, Caroline.
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A Conclusão dos Laudos Psiquiátricos
Enquanto a família tenta lidar com o luto e os traumas decorrentes da agressão, o andamento do processo judicial trouxe novos desdobramentos. Uma perícia realizada pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), concluída em junho, apontou que Daniel sofre de esquizofrenia e transtorno bipolar.
Com base nesses diagnósticos, o laudo concluiu que o acusado era inteiramente incapaz de compreender o caráter ilícito de seus atos no momento do ataque, enquadrando-o na condição de inimputável perante a legislação penal.
Essa avaliação psiquiátrica foi realizada após o Ministério Público contestar um primeiro exame técnico que já havia chegado à mesma conclusão sobre a incapacidade mental do agressor. Atualmente, Daniel encontra-se internado em uma clínica psiquiátrica particular localizada na cidade de Cuiabá, com os custos do tratamento custeados pelo Estado, enquanto aguarda as determinações da Justiça quanto às medidas cabíveis.
A Indignação e o Questionamento da Família
A conclusão do laudo psiquiátrico gerou forte indignação entre os familiares da vítima. Caroline, filha mais velha de Gleici, contesta publicamente o resultado da perícia e questiona a tese de que o agressor não tinha consciência do que estava fazendo.
Segundo ela, o relacionamento de sua mãe com Daniel durou 15 anos e foi marcado por constantes conflitos, brigas e episódios de chantagem emocional, o que, no entender da família, evidencia um padrão de comportamento consciente e abusivo ao longo do tempo.
Para os parentes, a possibilidade de que o responsável pela morte de Gleici e pelas graves lesões causadas à criança não seja submetido ao julgamento criminal comum representa uma profunda frustração diante das expectativas de justiça. O caso segue em análise pelo Poder Judiciário, que definirá a aplicação das medidas de segurança ou sanções previstas na lei.